O Rio Grande do Norte deu um passo relevante na agenda de transição energética com a concessão da licença prévia para a instalação de sua primeira fábrica de hidrogênio verde e amônia verde em escala industrial. O projeto Morro Pintado, que será implantado em Areia Branca, prevê investimento de R$ 12 bilhões e foi apresentado durante a Feira de Hannover, na Alemanha, principal vitrine global de tecnologias industriais.
O empreendimento será conduzido pela Brazil Green Energy e insere o estado em uma cadeia estratégica voltada à produção de combustíveis limpos. A iniciativa conta com articulação institucional envolvendo a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern)e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), além de parcerias com empresas internacionais, especialmente da Alemanha.

O presidente da Fiern, Roberto Serquiz, destacou o papel do Estado na agenda global de descarbonização. Segundo ele, a emissão da licença representa um avanço na consolidação do Rio Grande do Norte como polo de produção de hidrogênio verde. O dirigente também ressaltou o apoio institucional ao projeto e a articulação junto ao governo estadual e órgãos reguladores.
A licença foi concedida pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), que apontou o caráter inédito do empreendimento. De acordo com o diretor-presidente do órgão, Werner Farkatt, a autorização assegura não apenas critérios ambientais, mas também segurança jurídica, após regulamentação específica pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente.
O projeto integra um movimento mais amplo de atração de investimentos em energias renováveis no Estado, que já possui vantagens competitivas na geração eólica e solar. Iniciativas como a planta-piloto de hidrogênio verde do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis e o Atlas do Hidrogênio Verde reforçam o mapeamento de potencial produtivo local. No plano internacional, a iniciativa também evidencia o fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e Alemanha. O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que projetos dessa natureza ampliam oportunidades de negócios e podem impulsionar o intercâmbio comercial entre os países nos próximos anos.
Empresas globais como Siemens, Deutsche Bahn e ThyssenKrupp Uhde acompanharam a apresentação do projeto, sinalizando interesse internacional no desenvolvimento da cadeia de hidrogênio verde. A iniciativa posiciona o Rio Grande do Norte como um dos protagonistas emergentes na produção de energia limpa no Brasil.