A perda de memória, as dificuldades de comunicação e o isolamento social estão entre os desafios mais comuns enfrentados por pessoas diagnosticadas com demência. Esses sintomas, além de comprometerem a autonomia, podem gerar constrangimento em situações cotidianas, dificultando interações simples. Diante desse cenário, novas soluções tecnológicas começam a surgir com o objetivo de oferecer suporte contínuo e acessível a esses pacientes.
Uma dessas iniciativas é o uso de um chatbot baseado em inteligência artificial, desenvolvido para estimular habilidades cognitivas por meio de exercícios interativos e acompanhamento remoto. A proposta combina sessões online com profissionais de saúde e atividades digitais realizadas entre os atendimentos, criando uma espécie de “fisioterapia para o cérebro”.

Frank Poulsen tem demência e, como muitas pessoas com a condição, enfrenta perdas de memória, dificuldades de se expressar e sensação de isolamento em situações sociais. Isso pode ser constrangedor, diz ele, quando perde o raciocínio ou quando alguém precisa lembrá-lo de algo.
Nos últimos meses, ele passou a conversar quase diariamente com um chatbot de inteligência artificial. Ao The Wall Street Journal, ele disse que sabe que está interagindo com uma máquina, mas isso não o incomoda. Para ele, é uma oportunidade de se comunicar sem se sentir julgado.
Uma startup de tecnologia em saúde chamada NewDays, fundada por ex-funcionários do Google, criou uma plataforma que usa IA para ajudar pessoas com demência a manter contato humano e realizar exercícios cognitivos. O objetivo é combater o isolamento social — fator que pode acelerar o declínio cognitivo — e estimular habilidades como memória e linguagem.
Poulsen afirma que as conversas de cerca de 30 minutos ajudaram a melhorar sua atenção. Ele também utiliza exercícios cognitivos por meio do sistema, como construção de frases e associações de palavras.
A plataforma permite que médicos acompanhem o desempenho dos pacientes por meio de consultas virtuais. Entre os atendimentos, o chatbot continua ativo, oferecendo exercícios personalizados com base no histórico de cada usuário.
O sistema foi treinado com dados fornecidos pelos próprios pacientes, permitindo interações mais adaptadas às preferências individuais. Estudos indicam resultados positivos. Uma pesquisa conduzida pelo Hospital Geral de Massachusetts e pela Universidade Harvard avaliou 186 pacientes entre 75 e 91 anos com demência leve a moderada. Após três meses de uso, houve melhora em testes cognitivos e redução de sintomas de ansiedade e depressão em parte dos participantes. Outro levantamento da NewDays apontou que 7 em cada 10 usuários apresentaram melhora na cognição e no bem-estar emocional.