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Conflito

EUA avaliam ofensiva terrestre contra o Irã enquanto Teerã reforça defesa em pontos estratégicos

Planos incluem ocupação de ilhas no Estreito de Ormuz e ampliam risco de escalada regional, com ameaça de bloqueio em nova rota global
Por O Correio de Hoje
27/03/2026 | 12:22

Os Estados Unidos avaliam intensificar a ofensiva contra o Irã com a possibilidade de uma operação terrestre em áreas estratégicas do Golfo Pérsico, em meio a sinais contraditórios do presidente Donald Trump sobre o desfecho do conflito, que completa um mês neste sábado. O cenário eleva o risco de uma escalada militar com impactos diretos sobre rotas globais de energia e comércio.

Segundo informações do portal Axios, com base em fontes do Pentágono, Washington discute um “golpe final” que combinaria bombardeios intensificados e a tomada de ao menos uma ilha no Estreito de Ormuz, por onde passa parcela relevante do petróleo comercializado no mundo. Entre os alvos considerados estão Larak e Qeshm — esta última transformada, nos últimos anos, em base estratégica de mísseis e drones iranianos.

Mohamed
Os Estados Unidos avaliam intensificar a ofensiva contra o Irã - Foto: Reprodução

Especialistas apontam que a ocupação dessas áreas teria valor tático elevado. “É um pouco como um porta-aviões impossível de ser afundado”, afirmou Sascha Bruchmann, analista do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, ao jornal britânico The Times, ao descrever a estrutura subterrânea usada pelo Irã para armazenamento de armamentos.

Outros pontos sob avaliação incluem as ilhas de Abu Musa, Grande Tunb e Pequena Tunb, além de Kharg, principal terminal petroleiro iraniano. A eventual tomada de Kharg é considerada a opção de maior impacto econômico, mas também de maior risco operacional, devido à proximidade com a costa iraniana e à capacidade de resposta militar de Teerã.

A movimentação americana inclui o envio de milhares de soldados especializados em infiltração e tomada de posições, com possibilidade de reforço adicional de até 10 mil militares. A estratégia também contempla um bloqueio naval, ampliando a pressão sobre o regime iraniano.

Do lado iraniano, a resposta tem sido de reforço defensivo e retórica de dissuasão. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que qualquer movimentação inimiga está sob vigilância constante. Informações de inteligência indicam o envio de tropas e sistemas antiaéreos para Kharg, além da instalação de minas terrestres em áreas estratégicas.

Autoridades iranianas também sinalizam disposição para ampliar o conflito para outras rotas críticas, como o Estreito de Bab el-Mandeb, responsável por cerca de 12% do tráfego marítimo global. Aliados de Teerã, como a milícia houthi no Iêmen, já indicaram capacidade e disposição para atuar na região, aumentando o potencial de disrupção no comércio internacional.

Em paralelo, o governo americano mantém discurso ambíguo sobre negociações. Trump adiou novamente o prazo para a reabertura do Estreito de Ormuz, agora fixado para 6 de abril, enquanto afirma que conversas indiretas estão em andamento. Apesar disso, o próprio presidente declarou não saber se um acordo será possível e indicou que há outros alvos sob consideração.

O Irã, por sua vez, rejeita publicamente qualquer negociação e condiciona eventuais avanços à revisão de exigências americanas, como limitações ao programa de mísseis e ao enriquecimento de urânio. O impasse diplomático, somado à mobilização militar em curso, reforça a percepção de que o conflito caminha para uma fase de maior intensidade, com riscos sistêmicos para a segurança energética global.