O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã “acabou”, após uma nova troca de ataques entre os dois países. A declaração foi feita durante uma cúpula da aliança militar Otan na Turquia.
Questionado por um jornalista se a trégua havia terminado, Trump respondeu: “É uma pergunta muito interessante. Para mim, acho que acabou.”

O presidente americano afirmou que não pretende continuar as negociações com Teerã e fez críticas ao governo iraniano.
“Não quero mais lidar com eles. Eles são escória”, disse Trump.
Em seguida, declarou:
“São pessoas doentes, lideradas por pessoas doentes. São pessoas cruéis e violentas. Se tivessem uma arma nuclear, eles a usariam. Para mim, acabou.”
Trump também afirmou:
“É pura perda de tempo lidar com eles. São mentirosos.”
No mês passado, Estados Unidos e Irã haviam assinado um memorando de entendimento de 14 páginas com o objetivo de prolongar o cessar-fogo e negociar o encerramento do conflito em diferentes frentes. Segundo Trump, os negociadores ainda podem continuar as conversas, mas avaliou que:
“Acho que estão perdendo tempo.”
Ataques aumentam tensão entre os países
A declaração ocorreu após uma sequência de ações militares. Na terça-feira (7), o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que realizou ataques contra mais de 80 alvos iranianos, incluindo mais de 60 pequenas embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica.
Segundo o órgão americano, também foram atingidas instalações de lançamento de mísseis e bases militares iranianas. A localização dos alvos não foi divulgada.
Os ataques ocorreram após três petroleiros serem atingidos no Estreito de Ormuz no início da semana. O Irã não assumiu responsabilidade direta pelos incidentes.
Em comunicado divulgado na rede social X, o Centcom afirmou que os bombardeios foram realizados:
“Em resposta aos ataques iranianos”.
O órgão declarou ainda:
“A agressão do Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo.”
O Irã respondeu afirmando que realizou ataques contra instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait. Segundo as forças iranianas, foram atingidas 85 instalações militares americanas no Porto de Salman, área da Quinta Frota dos EUA no Bahrein, em uma operação com mísseis e drones.
As forças armadas iranianas também afirmaram ter atacado a Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, classificou os ataques americanos como uma violação do memorando firmado entre os dois países e afirmou que Teerã iria:
“Tomar medidas decisivas” em resposta.
A imprensa estatal iraniana informou que os bombardeios atingiram a ilha de Qeshm, Bandar Abbas e Sirik, onde pessoas ficaram feridas por estilhaços. Não houve registro de mortes.
Reações internacionais
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou nesta quarta-feira que os ataques dos Estados Unidos foram:
“Absolutamente necessários”.
Ele também acusou o Irã de:
“Basicamente violar o cessar-fogo”.
Já o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que foram os Estados Unidos que romperam a trégua.
Petróleo reage após declarações
Os preços do petróleo tiveram alta após os novos ataques e as declarações de Trump. Pouco antes da fala do presidente americano, o barril era negociado por pouco menos de US$ 76. Às 5h45 (horário de Brasília), o valor ultrapassava US$ 78.
O barril de petróleo Brent, referência internacional, subiu mais de 3%, chegando a US$ 76 após os ataques americanos.
Os preços haviam retornado aos níveis anteriores ao conflito após o acordo de trégua firmado entre Estados Unidos e Irã no mês passado.
Entenda o conflito
A nova escalada militar começou após três embarcações comerciais serem atingidas no Estreito de Ormuz em um intervalo de 24 horas, entre segunda-feira (6) e terça-feira (7), segundo a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO). Não houve registro de vítimas.
Os Estados Unidos afirmaram que haveria consequências para o que classificaram como ataques “totalmente inaceitáveis” contra os navios-tanque.
O Irã negou ter iniciado a ruptura do acordo e afirmou que as ações americanas violaram o memorando firmado entre os dois países.