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Tecnologia

OpenAI propõe 5% das ações ao governo dos EUA

Proposta prevê repasse de 5% da empresa a um fundo público inspirado no modelo do Alasca e amplia diálogo sobre os impactos econômicos da inteligência artificial
Por O Correio de Hoje
06/07/2026 | 15:19

A OpenAI abriu discussões com o governo dos Estados Unidos sobre a possibilidade de conceder uma participação acionária de 5% à administração federal, em uma iniciativa que busca ampliar o retorno econômico da inteligência artificial à sociedade e aproximar a empresa das autoridades em um momento de maior escrutínio regulatório. A proposta, revelada pelo Financial Times, também prevê que outras desenvolvedoras americanas de inteligência artificial adotem mecanismo semelhante, embora ainda não haja indicação de que elas concordariam com a ideia.

Segundo o jornal britânico, o plano foi apresentado pelo CEO da OpenAI, Sam Altman, em conversas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o secretário do Comércio, Howard Lutnick, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, além do senador democrata Bernie Sanders. A proposta prevê que as participações sejam reunidas em um veículo inspirado no Alaska Permanent Fund, fundo soberano criado com receitas da exploração de petróleo que distribui dividendos anuais à população do Alasca e ajuda a financiar o orçamento estadual.

Sam Altman
Sam Altman, CEO da OpenAI, está em conversações com os EUA - Foto: divulgação

A iniciativa representa uma evolução de propostas anteriores defendidas por Altman. Antes das negociações sobre participação acionária, a OpenAI havia sugerido a criação de um “fundo de riqueza pública” destinado a investir em empresas de inteligência artificial e distribuir parte dos ganhos aos cidadãos americanos. Em paralelo, a Anthropic afirmou estudar um modelo de “dividendo digital”, financiado por tributos sobre o setor de IA para realizar pagamentos diretos à população.

As discussões ocorrem em um ambiente de crescente intervenção do governo americano sobre o desenvolvimento da inteligência artificial. No mês passado, Trump afirmou que avaliava mecanismos para garantir que os cidadãos compartilhassem dos ganhos econômicos esperados com a expansão da IA, diante das preocupações sobre concentração de riqueza e impactos da tecnologia sobre o mercado de trabalho.

O debate ganhou força poucos dias após a OpenAI adiar o lançamento público completo do GPT-5.6 a pedido do governo americano. Inicialmente, a nova geração de modelos ficará disponível apenas para um grupo restrito de parceiros aprovados pelas autoridades, enquanto órgãos federais avaliam riscos relacionados à segurança nacional, incluindo possíveis aplicações em ataques cibernéticos e uso militar indevido. A medida foi adotada em paralelo às restrições impostas à Anthropic, que suspendeu temporariamente o acesso internacional aos seus modelos mais avançados após determinação do governo dos Estados Unidos.

A proposta de participação acionária também surge em um momento estratégico para a OpenAI. A empresa e a Anthropic protocolaram, de forma confidencial, pedidos para abertura de capital nos Estados Unidos, embora a OpenAI avalie postergar sua oferta pública inicial para preservar uma avaliação próxima de US$ 1 trilhão. Analistas apontam que uma eventual participação do governo poderia reduzir resistências políticas à expansão das empresas de inteligência artificial, mas também abriria precedente para reivindicações semelhantes por outros países e levantaria questionamentos sobre governança corporativa e concorrência internacional.

Nem a OpenAI nem a Casa Branca comentaram oficialmente o conteúdo das negociações. A Reuters informou que não conseguiu confirmar de forma independente as informações publicadas pelo Financial Times.