A Rússia lançou um dos maiores ataques aéreos desde o início da guerra contra a Ucrânia, atingindo Kiev com uma combinação de mísseis e drones que provocou destruição em diversos bairros da capital. O bombardeio, que se estendeu por cerca de 11 horas durante a madrugada de quinta-feira 2, deixou ao menos 20 mortos e cerca de 50 feridos, segundo as informações iniciais das autoridades ucranianas. O número de vítimas, contudo, continuou aumentando ao longo das operações de resgate, chegando a pelo menos 30 mortos e mais de 90 feridos, conforme balanço atualizado divulgado nesta sexta-feira 3.
As explosões foram registradas em diferentes regiões da cidade e atingiram principalmente áreas residenciais e infraestrutura civil. De acordo com o chefe da administração militar de Kiev, Timur Tkachenko, diversos edifícios sofreram danos estruturais severos, enquanto equipes de emergência trabalharam durante todo o dia na retirada de vítimas presas sob os escombros. As autoridades informaram que mais de uma centena de imóveis foi danificada, tornando muitos deles inabitáveis.

Entre os locais atingidos estava um prédio no centro da capital onde permanecia estacionado um comboio de ambulâncias. Segundo o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, cinco profissionais de saúde ficaram feridos durante o ataque, incluindo um paramédico em estado crítico. Em outro distrito, o incêndio consumiu a cobertura de um edifício residencial, enquanto um prédio de nove andares foi parcialmente destruído, deixando moradores presos até a chegada das equipes de resgate.
As explosões, ouvidas em praticamente toda a cidade, foram acompanhadas por grandes colunas de fumaça que se espalharam sobre a capital. Milhares de moradores buscaram abrigo em estações de metrô e refúgios subterrâneos durante a ofensiva, considerada uma das mais intensas registradas em Kiev desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia empregou 74 mísseis e cerca de 500 drones de longo alcance na operação, tendo Kiev como principal alvo. Embora boa parte dos projéteis tenha sido interceptada pelos sistemas de defesa aérea, o volume do ataque foi suficiente para provocar destruição em larga escala e sobrecarregar as capacidades defensivas da capital.
O ataque havia sido antecipado pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelenski. Na quarta-feira, durante visita oficial à Irlanda, o chefe de Estado afirmou ter recebido informações de inteligência sobre a preparação de uma ofensiva russa de grande escala e decidiu interromper a agenda internacional para retornar imediatamente ao país. Após visitar uma das áreas atingidas, Zelenski atribuiu parte da gravidade dos danos ao atraso na entrega de sistemas adicionais de defesa antiaérea prometidos pelos aliados ocidentais.
Moscou afirmou que a operação teve como alvo instalações militares, aeroportos e infraestrutura energética, classificando a ofensiva como resposta a recentes ataques ucranianos contra o território russo. O Ministério da Defesa da Rússia sustentou que utilizou armamentos de alta precisão lançados por via aérea, terrestre e marítima, além de drones de ataque, negando que civis tenham sido deliberadamente visados.
As autoridades ucranianas rejeitaram essa versão e afirmaram que os principais alvos foram bairros residenciais, hospitais e outras estruturas civis. Além dos edifícios habitacionais, o ataque atingiu instalações médicas, um depósito da Cruz Vermelha e áreas ligadas ao patrimônio cultural da cidade, ampliando o impacto humanitário da ofensiva.
A escalada ocorre em um momento de intensificação do conflito, marcado pelo aumento dos ataques de longo alcance realizados pelos dois lados. Enquanto a Ucrânia amplia operações com drones contra refinarias, bases aéreas e infraestrutura energética em território russo, Moscou responde com bombardeios cada vez mais extensos sobre centros urbanos ucranianos. A nova ofensiva levou Kiev a decretar luto oficial e reforçou os apelos do governo de Zelenski por novos sistemas de defesa aérea e pelo endurecimento das sanções ocidentais contra a Rússia.