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Violência

Polícia Federal abre inquérito e derruba perfis ligados à trend “caso ela diga não”

Vídeos mostram encenações de reação após a negativa a pedidos de namoro ou casamento e incentivam violência contra a mulher
Redação
09/03/2026 | 21:29

A Polícia Federal abriu inquérito e derrubou perfis em redes sociais que divulgavam conteúdos ligados à trend “caso ela diga não”. A ação é conduzida pela Diretoria de Crimes Cibernéticos da corporação e busca investigar publicações que incentivam violência contra mulheres. A informação foi confirmada ao Blog da Julia Duailibi nesta segunda-feira 9.

Os vídeos publicados por jovens mostram encenações de reação violenta após a negativa a pedidos de namoro ou casamento. Nas gravações, aparecem simulações de socos e golpes com faca.

Polícia Federal abre inquérito e derruba perfis ligados à trend “caso ela diga não” - Foto: Reprodução/G1
Polícia Federal abre inquérito e derruba perfis ligados à trend “caso ela diga não” - Foto: Reprodução/G1

A repercussão ocorre após um caso registrado no Rio de Janeiro, onde uma jovem que recusou um homem foi esfaqueada mais de 15 vezes. Ela sobreviveu após ficar quase um mês internada.

Além da investigação conduzida pela Polícia Federal, o tema também chegou à Câmara dos Deputados. Na terça-feira 10, a Comissão de Segurança Pública da Casa deve votar um requerimento que pede à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de investigação sobre a publicação viral.

O pedido é de autoria do deputado Pedro Campos, do Partido Socialista Brasileiro de Pernambuco, para que a PGR adote medidas de responsabilização criminal por apologia à violência.

Em entrevista ao programa GloboNews Mais, o parlamentar afirmou que a conduta de influenciadores representa apologia ao crime e relacionou o fenômeno à reação de parte dos homens às mudanças sociais.

“O que temos visto é uma reação completamente absurda à ocupação de espaços de poder pelas mulheres. Os homens estão perdendo aquele papel de únicos provedores e comandantes, e a resposta é atualizar o machismo e o patriarcado para o século 21 através da internet”, afirmou Campos, ao G1.

O deputado também defendeu que as investigações não se limitem aos criadores de conteúdo e alcancem as empresas de tecnologia responsáveis pelas plataformas.

“É fundamental entender o que essas plataformas estão fazendo para coibir que esse tipo de conteúdo circule. Não podemos permitir que a disseminação de ideias que geram comportamentos violentos seja lucrativa ou facilitada pela falta de moderação”, disse o deputado.

Vídeos simulam reação à rejeição

A trend circula principalmente no TikTok com a frase “treinando caso ela diga não”. Nos vídeos, criadores simulam situações de abordagem romântica, como pedidos de namoro ou casamento.

Em seguida, aparece a frase “treinando caso ela diga não” ou variações semelhantes. Depois da legenda, os autores encenam reações agressivas diante da possibilidade de rejeição.

As gravações incluem socos em objetos, movimentos de luta e simulações de ataques com faca.

O debate ocorre em um contexto de aumento de crimes contra mulheres no país. Em 2025, o Ministério da Justiça e Segurança Pública registrou 1.470 casos de feminicídio no Brasil.

Procurado, o TikTok informou por meio de nota que o conteúdo viola as Diretrizes da Comunidade e foi removido da plataforma assim que identificado.