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Jair Bolsonaro pode alterar resultado da eleição para reitor da UFRN
Crítico de um suposto posicionamento ideológico de esquerda, presidente terá a primazia de definir os nomes de reitores para 11 instituições federais de ensino superior
José Aldenir / Agora RN
Jair Bolsonaro (PSL), presidente da República

O governo Jair Bolsonaro (PSL) planeja não respeitar o resultado da lista tríplice para a reitoria da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Será a primeira escolha do novo governo para as universidades públicas. Caso a medida se confirme, a decisão pode gerar repercussão, inclusive, no resultado da eleição realizada em novembro passado para a reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Com crítica ao suposto posicionamento ideológico de esquerda da universidades públicas, Jair Bolsonaro poderá definir a direção de 11 instituições federais de ensino superior.

Podem ser afetadas, além da UFRN e da UFTM, a UFC (Ceará), UFGD (Grande Dourados, no Mato Grosso do Sul) , UFMA (Maranhão), UFPE (Pernambuco), UFRB (Recôncavo da Bahia), UFV (Viçosa, em Minas Gerais ), UFVJM (Vales do Jequitinhonha e Mucuri, em Minas Gerais), Unirio (Rio de Janeiro) e UFRJ (Rio de Janeiro). Todas estas instituições realizaram consultas públicas de eleição da reitoria em 2018.

Segundo a presidência da República, o ordenamento das reitorias vai obedecer às normas de uma nota técnica 400 do Ministério da Educação, publicada em 13 de dezembro de 2018, que sinaliza que não há vinculação entre o resultado da consulta à comunidade universitária para a elaboração da lista tríplice.

A UFRN, por exemplo, fez consulta pública e elegeu os professores José Daniel Diniz Melo e Hênio Ferreira de Miranda, para os cargos de reitor e vice-reitor. Além da consulta pública, os nomes foram referendados pelo Conselho Universitário (Consuni) da instituição pública potiguar. Atualmente, os nomes escolhidos esperam a ratificação pelo Ministério da Educação e pelo presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com a UFRN, através da assessoria de imprensa da instituição, a escolha de José Diniz Melo deve ser respeitada, pois seguiu todos os trâmites legais para a definição de reitor. Ainda segundo a UFRN, a escolha feita pela comunidade acadêmica sempre é respeitada pelo Ministério da Educação desde 1988.

A lista tríplice da UFRN foi composta em ordem de número de votos dos integrantes do Conselho Universitário (Consuni), que elegeu em maioria os professores José Daniel Diniz Melo e Henio Ferreira de Miranda, com 43 votos e 40 votos do total de 48, como candidatos a reitor e vice-reitor, respectivamente.

As chapas seguintes são formadas pelas professoras Maria das Graças Soares Rodrigues e Sandra Kelly de Araújo, com três votos e cinco votos, como reitora e vice, além de Douglas Nascimento da Silva e Valéria Lázaro de Carvalho, respectivamente, com dois votos e um voto, para os cargos de reitor e vice-reitora. A votação registrou ainda dois votos em branco.

Portanto, conforme a Resolução nº 023/2018 do Consuni, com poderes de colégio eleitoral, compõem a lista tríplice os nomes dos professores José Daniel Diniz Melo (1º colocado), Maria das Graças Soares Rodrigues (2ª colocada) e Douglas do Nascimento Silva (3º colocado).

Com relação da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, a decisão de Jair Bolsonaro vai retira a primazia do professor de filosofia e ciências sociais Fábio Fonseca, que ficou em primeira colocação na eleição do colegiado da UFTM. A medida pode ter relação com o perfil ideológico do eleito, que já foi filiado ao PT e ao PSOL. A indicação da presidência será a do segundo lugar da lista, o professor de engenharia Luiz Fernando Resende dos Santos Anjo.

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