Entrevista
Paulinho Freire: “O América mudou sua forma de pensar sobre futebol”
Conselheiro bastante ativo no clube, vereador de Natal conversou com o Portal Agora RN e abordou o momento do América, que tentará em 2018 retornar à Série C do Brasileirão
Paulinho Freire, vereador de Natal pelo SD e conselheiro ativo do América
José Aldenir / Agora Imagens
Paulinho Freire, vereador de Natal pelo SD e conselheiro ativo do América

A poucas semanas de iniciar uma nova temporada em busca do sucesso dentro de campo, o América vem trabalhando duro para que, em 2018, os objetivos traçados sejam alcançados. Para falar sobre o momento atual vivido pelo Alvirrubro, o Portal Agora RN conversou nesta quarta, 13, com o vereador Paulinho Freire (SD), conselheiro participativo nas administrações rubras.

No bate-papo dentro de seu gabinete na Câmara de Natal, Paulinho destacou o processo de reformulação que o América vem passando, comentou a passagem de Beto Santos pelo clube, falou de que forma pretende ajudar em 2018 e, por fim, garantiu: o ano que vem será de muito trabalho no time da Rodrigues Alves.

Confira a entrevista na íntegra:

Jornal Agora RN: Como o senhor avalia o atual momento do América?

Paulinho Freire: É um momento difícil, mas grandes clubes do Brasil também já passaram por isso, como Fluminense-RJ, Vasco-RJ e vários outros. É uma fase, que ninguém fez o América chegar nela de propósito. Todo mundo que entra é com o intuito de dar seu melhor para o clube, mas infelizmente existem coisas que dão certo e outras não. Não adianta ficar olhando pro passado, temos que planejar o futuro. Para isso, é necessário união e todos sabem que o América sempre se une nas horas mais difíceis. Eu tenho certeza que a nova gestão vai continuar com essa ideologia.

JARN: O que faltou para a gestão de Beto Santos ter dado certo?

PF: Ele pegou o América com muita boa vontade, mas infelizmente tem gestões que não acontecem. A situação atual não é culpa dele. O problema é que os torcedores não analisam a parte administrativa. Beto deu uma grande organizada no setor administrativo, mas infelizmente isso não importa para a torcida. Ela quer saber dos resultados. Futebol é muito ingrato com os gestores. Outro exemplo é o ex-presidente Gustavo Carvalho, que colocou o América na Série A, ganhou títulos pelo clube, foi bem em competições como Copa do Brasil e do Nordeste, mas seu último resultado foi um rebaixamento pra Série C, e aí a torcida só lembra do que fica por último.

JARN: Como o América pode driblar a escassez de recursos em 2018?

PF: Acredito muito na gestão do presidente Eduardo pela experiência que ele tem. O momento péssimo que o América está passando dentro de campo está servindo para os dirigentes renovarem seus planejamentos e pensarem o futebol com os pés no chão. Temos o exemplo recente do ABC, que estava na Série B, na Copa do Brasil e fazendo parte do Grupo I da Timemania, mas mesmo assim se descontrolou ao longo do ano. A gestão tem que ser mais razão do que emoção, infelizmente o futebol é muita emoção. Pararelo a isso, há uma cobrança grande da torcida pelo resultado que acaba dificultando o andamento dos projetos.

JARN: Existe uma reestruturação em curso no América?

PF: Depois de chegar onde chegou, eu vejo que o clube tem conseguido se reestruturar sim. Hoje o América gasta aquilo que pode gastar, faz o que pode fazer e tem um novo direcionamento administrativo. Em suma, o América mudou sua forma de pensar futebol. Às vezes, quando os clubes têm uma boa receita, eles não ligam para as despesas e gastam demais. O América está recomeçando agora com os pés no chão. O time que vem sendo feito é bom e barato. Com o que tem hoje, acho que o América pode chegar bem no final do ano. Neste ano formamos um time com 20 dias e chegamos onde chegamos. Ficamos fora por causa de 1 jogo.

JARN: O senhor pretende ajudar a nova gestão de que maneira?

PF: Estou sempre ajudando nas situações em que posso. Tenho uma relação muito boa com a nova diretoria, desde o presidente Eduardo Rocha até o pessoal do futebol (Eliel e Leonardo). Sempre que posso, embora não tenha tanto tempo, eu participo das reuniões, explano meus pensamentos com o intuito de ajudar o clube. Estou sempre perto do América, pois se trata de uma paixão que tenho. Se Deus quiser, com a união de todos, vamos conseguir recolocar o clube no seu devido lugar.

JARN: 2018 será o primeiro ano que o América vê um time do interior (Globo) na sua frente nacionalmente. Há algum demérito nisso?

PF: Pelo contrário: há mérito do Globo. Foi um trabalho bem feito do presidente e, diga-se de passagem, muito mais fácil do que o nosso. Lá não existe pressão de torcedor. Ele é o dono do time e a única pessoa que precisa dar satisfação é a ele mesmo, não existe ninguém cobrando. O trabalho dele é 100% profissional/empresarial, vende jogador na hora que quer sem precisar dar satisfação a ninguém. Com América e ABC é diferente, neles existem torcidas cobrando os resultados.

JARN: O que o torcedor do América pode esperar para 2018?

PF: Muito trabalho. Confio muito na diretoria que está aí. Vai ser feito um trabalho muito competente para o América começar a retomar seu espaço no futebol brasileiro. Nossa meta principal é recolocar o clube na Série B, mas é claro que isso vai demandar tempo. Um objetivo mais próximo é voltar para a Copa do Nordeste, já que em 2018 será o primeiro ano na história que o América não vai participar do torneio. Vamos trabalhar nesse próximo Estadual para vencer e colocar o América de novo nessa competição muito importante para o clube.