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Interferência

Girão critica intromissão de filhos na Presidência: “O presidente é Bolsonaro”

Em especial, o parlamentar citou o vereador Carlos Bolsonaro e Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, pivô da polêmica envolvendo candidaturas 'laranjas' do PSL em 2018
Redação
18/02/2019 | 12:30

O deputado general Girão Monteiro (PSL) criticou a interferência dos filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em assuntos internos da gestão federal. Em especial, o parlamentar citou a polêmica envolvendo o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) e Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

“O envolvimento dos filhos na discussão é algo que Bolsonaro tem que tratar. É um problema dele. Ele ficou três semanas fora do circuito e os filhos apareceram de novo, mas quem é o presidente é o Bolsonaro”, disse Girão em entrevista concedida ao programa “Jornal Agora”, apresentado pelos jornalistas Alex Viana e Anna Karinna Castro, na Agora FM (97,9).

Girão critica intromissão de filhos na Presidência: "O presidente é Bolsonaro" - Agora RN

Bebianno, que é ex-presidente do PSL nacional, é considerado o pivô de uma crise política gerada pela suspeita de que a sigla teria usado candidaturas “laranjas” em Pernambuco e Minas Gerais para desviar verbas públicas em 2018. Para rebatê-la, o ministro concedeu entrevista ao jornal “O Globo” garantindo ter falado com Bolsonaro três vezes no dia 12 de fevereiro para mostrar que não havia crise. O filho do presidente, Carlos, apresentou um áudio nas redes sociais desmentindo Bebianno, que deve ter sua demissão oficializada nesta segunda-feira, 18.

“É lamentável que isso tenha acontecido e chegado à sala do Bolsonaro. Isso representa tudo aquilo que lutamos durante a campanha, que foi o ‘não’ à velha política, ‘não’ às reeleições e às vendas de cargos. Lamento que possa ter tido negociação de candidaturas de ‘laranjas’ dentro de qualquer canto, porque só está sendo criticado o PSL. Se houve dentro do PSL, Bolsonaro mandou o [Sergio] Moro investigar. Esse é o exemplo a se seguir”, defendeu.

Ainda comentando a polêmica, o general negou qualquer possibilidade de que tenha havido candidaturas laranjas do PSL no Rio Grande do Norte.

“O PSL recebeu no RN R$ 100 mil no começo da campanha. Cada candidato homem recebeu R$ 4 mil, e as mulheres receberam R$ 6 mil. O restante do dinheiro foi usado para pagar algumas dívidas. Candidatura laranja aqui com esse dinheiro, tem nem cabimento. E mesmo se houvesse [dinheiro], não seria feito, porque nós não pensamos que tenha que ser feito desse jeito”.

Girão lamentou um suposto “aparelhamento” que a esquerda tenha feito de empresas estatais, e argumentou que os cargos devem ser ocupados por pessoas competentes e não cotadas por partidos. “Hoje deve estar chegando o novo presidente da Codern, almirante [Elis Treidler] Öberg. Bolsonaro convidou a Marinha para que dentro da especialização de cada um, se buscasse a indicação de diretores e presidentes dessas companhias-docas. As empresas estatais no RN estão trabalhando com muita dificuldade. Os cargos e órgãos no RN têm sérias limitações; vemos o RN parado no tempo. Tem que desaparelhar e tirar esse pessoal incompetente. Na hora de ‘reaparelhar’, que seja como Bolsonaro faz: os cargos de ministério não são cotas de partidos, são pessoas escolhidas com características técnicas”, apontou o deputado.

Por fim, o general Girão não descartou deixar o PSL para ingressar no possível retorno da União Democrática Nacional (UDN). A possibilidade foi levantada após uma matéria do Estadão, que afirma que o “clã Bolsonaro negocia migrar para a nova UDN”.

“Não descarto que isso esteja sendo pensado ou que possa ser feito. Infelizmente estamos cansados de ver donos de partidos. Não aceitamos que pessoas se intitulem donos de diretórios de municípios. Na hora que eu identificar isso no RN, tiro a pessoa do projeto do partido”, concluiu.