O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, incluiu em sua nova proposta de colaboração premiada informações sobre supostos repasses financeiros destinados à produção do filme Dark Horse, cinebiografia inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, Vorcaro relatou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República que recebeu pedidos para viabilizar o patrocínio milionário do projeto. Na nova versão da delação, entregue aos investigadores nesta semana, ele teria detalhado cobranças e transferências que somariam aproximadamente R$ 60 milhões para a produção cinematográfica.

O caso ganhou repercussão após a divulgação, em maio, de um áudio pelo The Intercept Brasil em que o senador Flávio Bolsonaro aparece solicitando recursos para a execução do filme. Na ocasião, o parlamentar afirmou que não havia qualquer irregularidade na operação e sustentou que se tratava de um contrato privado.
De acordo com a reportagem, a nova proposta de colaboração também amplia informações já apresentadas anteriormente e cita novos personagens ligados aos Três Poderes, incluindo integrantes do governo federal, ministros do Supremo Tribunal Federal e nomes da oposição no Congresso Nacional.
A primeira versão da delação havia sido rejeitada pela Polícia Federal há cerca de duas semanas. Os investigadores apontaram omissões em informações consideradas relevantes nos anexos entregues por Vorcaro.
Após a rejeição, houve mudança na defesa do empresário. O advogado José Luís Oliveira Lima deixou o caso, que passou a ser conduzido por Sérgio Leonardo. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República analisam agora o novo material para verificar se os fatos apresentados justificam o avanço das negociações para um eventual acordo de colaboração premiada.