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Entrevista
Vereadora de Natal defende que, em caso de lockdown, igrejas sigam abertas
Vereadora de Natal Camila Araújo (PSD) acredita que os templos religiosos desempenham papel importante na manutenção do bem estar da população. Parlamentar de 1º mandato defende as pautas sociais, como o transporte público
Redação
25/02/2021 | 00:19

A fé é uma forte característica da vereadora Camila Araújo (PSD). Assim revela a parlamentar cristã evangélica que assumiu pela primeira vez uma cadeira na Câmara Municipal em 2021. Entre vários projetos, um que representa os eleitores dela chamou a atenção.

A natalense mãe de dois filhos propôs um Projeto de Lei (PL) em regime de urgência para garantir que os templos religiosos não sejam fechados no período de pandemia causada pelo novo coronavírus ou calamidade pública ocasionada pela doença viral Covid-19 – o que equivale aos serviços essenciais, como supermercado. A medida, se aprovada, permite a abertura, inclusive, em caso de implantação de lockdown, por exemplo.

Casada com um líder comunitário, Camila conquistou 2.447 votos válidos nas eleições municipais de 2020. A maioria deles eram da zona Oeste natalenses, o reduto da parlamentar, já que ela mora no bairro Nordeste. A localidade, aliás, fica próxima à Ponte Velha, que liga a zona Norte com as demais regiões da capital. A reforma do equipamento público é uma das priores da parlamentar que promete “defender as comunidades”.

Por morar em uma zona popular, a parlamentar que, como conselheira tutelar, função que lhe possibilitou atender mais de 2 mil famílias, conhece os desafios da sociedade.

O transporte público é uma das maiores queixas, e ela diz conhecer bem. Camila, ainda como representante do seu bairro, já tinha o hábito de visitar secretárias para cobrar melhores condições para os cidadãos.

Nesta entrevista ao Agora RN, Camila, que presidiu o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (COMDICA) por dois anos, aponta quais são suas prioridades para o novo mandato, avaliação a qualidade do sistema de ônibus público, como o eleitorado natalense tem se comportamento, além de revelar a face de uma cristã na atuação política.

AGORA RN – Como a fé e a religião têm influenciado sua atuação como vereadora?
CAMILA ARAÚJO
– Tenho sido tratada de forma muita respeita por todos os meus pares. Eles respeitam. Não tive nenhum entrave. Eu sei que nosso Estado é laico, mas eu exerço a minha religião. Não tivemos, ainda, discussões temáticas e polêmicas, como a ideologia de gênero, que eu tenho a minha percepção, enquanto cristão.

Como cristão, sabemos que essa conduta é reprovada pela bíblia. Mas, diante disso, acredito que ninguém deve ter seus direitos prejudicados em razão de uma escolha que ele ou ela fez. De maneira nenhuma. Isso, aliás, não os tornam menores. Por isso, também não sou à favor do termo minoria, pois eles não são. Eles continuam sendo cidadãos com todos os direitos, e precisamos ter esse olhar verdadeiramente como cristão. Nosso dever é amar uns aos outros, assim como Deus amou a sua igreja.

Propus um PL em regime de urgência para garantir que os templos religiosos não sejam fechados no período de pandemia ou calamidade pública, pois sabemos que a fé é uma motivação para as pessoas. Muitos têm a fé como um refúgio, como um psicólogo. O objetivo do projeto é fazer com que as atividades religiosas sejam reconhecidas com atividade essencial, assim como os supermercados. O PL serve para caso tenha um ensaio de lockdown, os templos religiosos não são prejudicados. Essa medida não abrange apenas os evangélicos, mas todas as religiões. Claro, é necessário que todas elas estejam abertas seguindo os protocolos. Acredito que será aprovado. Precisava de 10 assinaturas, consegui 11, graças a Deus.

AGORA RN – A senhora levanta, também, a bandeira das comunidades. Como tem sido o trabalho para esse seguimento?

CAMILA – Eu fui convidada pelos vereadores Nivaldo Bacurau (PSB) e Anderson Lopes (Solidariedade) para integrar a bancada da zona Norte, já que o bairro Nordeste, onde moro, é próximo da região. A reforma da ponte que liga essas duas regiões é uma das reivindicações dessa bancada. Ela precisa ser restaurada. Sabemos que é uma obra muito grande, mas estamos empenhados em realizá-la para termos equilíbrio no trânsito. Todo dia é um gargalo naquele trecho, independente do horário. Ficar horas e horas no trânsito é algo triste. O engarrafamento na ponte velha é um dos problemas de trânsito da cidade.

Além disso, temos um mandato participativo, em que as pessoas nos procuram para apresentar demandas, especialmente pelas redes sociais. E nós vamos lá verificar a situação do problema, para depois enviarmos um requerimento, ofício, ou até mesmo marcamos uma audiência com o secretário da pasta responsável pelo que a população está enfrentando. Isso já aconteceu no bairro das Quintas, por exemplo.

AGORA RN – Há outros 13 vereadores que são de base comunitária. Como essa configuração pode ajudar no trabalho em favor das comunidades?

CAMILA – Eu fico muito feliz com esse resultado, com essa configuração. As comunidades estão sendo pautadas por vários parlamentares. Isso é fantástico, pois traz uma nova roupagem para a Câmara. Afinal, eles são pessoas que viveram e vivem diariamente os problemas das comunidades. A maioria, assim como eu, são líderes comunitários. Então já estávamos acostumados em cobrar o poder público pelo cumprimento de direitos, melhorias para comunidades. Com certeza, essa nova legislatura dará vez às comunidades, não só nas eleições, como é de costume. Paramos de ter o vereador que ia até ao bairro. Agora, o vereador está no bairro, pois mora lá.

AGORA RN – Como avalia, então, essa representativa?

CAMILA – Eu costumo dizer que os vereadores que renovaram mandatos foram heróis, pois na política, a nível nacional, há uma falta de credibilidade. Isso causa rejeição. As pessoas têm a sensação que o candidato que tem uma vida ilibada e entra na política será corrompido, será corrupto. Mas eu dizia e continuo dizendo aos eleitores: se não arriscar nos bons, os maus feitores estarão na frente sempre. Em Natal, eu percebi que as pessoas votaram em quem estava mais próximo. Foi um fenômeno na nossa cidade. A aproximação faz com que as pessoas confiem mais, pois sabem onde nos encontrar, onde moramos. Quem faz política de carreira, que só mostra trabalho na campanha, perdeu espaço. E eu culpo as redes sociais por esse resultado, pois elas são democráticas.

AGORA RN – Quais são as demais demandas do seu mandato?

CAMILA – Na questão da mobilidade, vamos focar no transporte público. Perceba: enquanto Natal reduziu sua frota 30%, João Pessoa, na Paraíba, ampliou. A capital continua assim mesmo com altos índices de contágio e mortes por Covid-19. Os ônibus rodam superlotados. Como vamos justificar isso? Como está o cuidado com a população?

Já há uma solicitação para discutirmos esse assunto com urgência na Câmara para cobrar a fiscalização e a limpeza dos veículos, por exemplo. Os abrigos nos pontos de ônibus são outro ponto de discussão. Precisamos garantir condições para isso a fim de promover dignidade. A Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU) tem que ponderar os interesses dos empresários e da população. É um assunto que será discutido bastante.

AGORA RN – A garantia de direitos tem ganhando espaço em seus discursos. Qual a motivação?

CAMILA – O slogan do mandato é família e cidadania. Cidadania, por sua vez, engloba todos os direitos, sejam eles: saúde, educação, consumidor, por exemplo. A nossa bandeira também é a o do evangelho. Vamos defender a questão da família. O nosso foco no direito do consumir começou no início do mandato. A Petrobras estipulou a política de aumento de preço de 15 centavos no litro de gasolina, e, assustadoramente, os postos de gasolina de Natal estavam aplicando 60 centavos. Bastava ir aos postos para perceber que existia algo errado. Foi quando protocolamos um pedido de investigação para saber se estava havendo preços abusivos.

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