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Varejo

Varejo de Natal enfrenta pressão estrutural

CDL aponta necessidade de investimentos em infraestrutura, segurança e modernização para recuperar áreas comerciais e enfrentar novos hábitos de consumo
Por O Correio de Hoje
25/05/2026 | 13:20

O varejo de Natal atravessa um período de transformação marcado pela perda de força dos polos comerciais tradicionais, avanço do comércio digital, aumento da inadimplência e pressão de custos provocada pelo cenário econômico global. Para empresários do setor, o momento exige mudanças estruturais, modernização das operações e maior integração entre iniciativa privada e poder público.

À frente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Natal desde 2020, o empresário José Lucena afirma que a recuperação de áreas tradicionais como Cidade Alta e Ribeira depende de investimentos em infraestrutura, mobilidade urbana, segurança e incentivos econômicos.

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José Lucena preside a CDL Natal - Foto: Cedida

“Falta união de esforços e escuta real de quem empreende e consome nessas regiões. A revitalização passa por investimento público em infraestrutura, segurança, transporte, moradia e incentivos fiscais”, afirmou.

Segundo ele, o comportamento do consumidor mudou após a pandemia, com maior descentralização do consumo para os bairros, exigindo novos modelos de ocupação comercial.

“Não adianta apenas requalificar o espaço físico sem pensar em como trazer fluxo de pessoas de volta para essas regiões”, disse.

Entre os principais entraves do comércio de rua, Lucena cita problemas históricos de mobilidade, estacionamento e insegurança, fatores que, segundo ele, afetam diretamente a decisão de compra dos consumidores.

“Muitas vezes, o cliente deixa de frequentar o comércio de rua não pela qualidade dos produtos ou do atendimento, mas pela dificuldade de acesso e pela falta de conforto”, afirmou.

A entidade defende medidas como implantação de estacionamento rotativo e realização de audiências públicas para discutir soluções urbanas com empresários e gestores municipais.

O cenário econômico também ampliou a pressão sobre o setor. Segundo o presidente da CDL Natal, o elevado endividamento das famílias reduziu o consumo e atingiu principalmente segmentos ligados a bens não essenciais.

“Quando o consumidor está endividado, ele muda completamente o comportamento, passa a priorizar despesas essenciais e reduz ou elimina gastos com itens considerados não essenciais”, afirmou.

Lucena acrescenta que juros elevados, crédito mais caro e inflação pressionam a renda das famílias e dificultam uma recuperação mais consistente do comércio.

Além das dificuldades internas, empresários relatam impactos crescentes das tensões internacionais sobre custos logísticos e insumos industriais.

“No caso dos conflitos no Oriente Médio, por exemplo, o impacto chega principalmente pelo aumento do frete internacional, da energia e dos insumos industriais”, afirmou.

Segundo ele, produtos como aço, alumínio, cobre, plástico e vidro sofreram reajustes, pressionando fornecedores e varejistas. Parte desses custos acaba sendo repassada ao consumidor final de forma gradual.

O avanço do comércio eletrônico também acelerou a necessidade de adaptação do varejo físico. Para Lucena, resistir à digitalização deixou de ser uma opção para o setor.

“O consumidor busca praticidade, compara preços online e valoriza conveniência. Isso obrigou o comércio tradicional a investir em tecnologia, redes sociais, delivery e experiência de compra”, disse.

Apesar disso, ele avalia que as lojas físicas ainda mantêm diferenciais competitivos ligados ao contato humano, confiança e pós-venda. Outro ponto de preocupação envolve a concorrência com plataformas internacionais de comércio eletrônico. Segundo a CDL, empresas brasileiras enfrentam desvantagens tributárias e operacionais em relação aos concorrentes estrangeiros.

“Enquanto o lojista local paga impostos, gera empregos, mantém estrutura física e contribui diretamente para a economia da cidade, essas plataformas muitas vezes não têm o mesmo impacto econômico local”, afirmou.

A entidade também acompanha debates nacionais relacionados à reforma tributária e ao possível fim da escala 6×1. Para o dirigente, mudanças tributárias ainda geram insegurança entre empresários, especialmente nos setores de comércio e serviços, mais sensíveis à carga de impostos.