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Acordo

União Europeia aprova acordo comercial com o Mercosul após 25 anos de negociações

Tratado prevê redução de tarifas e barreiras comerciais, mas enfrenta resistência de países como França e protestos de agricultores europeus
Redação
09/01/2026 | 10:52

Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente, nesta sexta-feira 9, o acordo comercial com o Mercosul, encerrando um processo de negociação que se arrastou por 25 anos. A decisão foi tomada pela maioria dos embaixadores dos 27 Estados-membros do bloco, segundo fontes diplomáticas europeias.

Apesar da aprovação inicial, a confirmação formal dos votos ainda será realizada por escrito até o fim do dia, no horário de Bruxelas. França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria se posicionaram contra o acordo, enquanto a Bélgica optou pela abstenção.

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Lula em sessão Plenária da Cúpula de Presidentes e Chefes de Delegação dos Estados Partes do Mercosul e dos Estados Associados. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Com o aval provisório, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o tratado com os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — já na próxima semana. Para que o acordo entre em vigor, ainda será necessária a aprovação do Parlamento Europeu.

Considerado estratégico, o tratado busca ampliar a integração econômica entre dois grandes blocos comerciais. A proposta prevê a redução de tarifas e barreiras comerciais em uma das maiores zonas de comércio do mundo, com potencial para impulsionar exportações, investimentos e diversificar as relações comerciais entre as regiões.

Para os países do Mercosul, o acordo representa maior acesso ao mercado europeu. Já para a União Europeia, a iniciativa é vista como uma forma de fortalecer o comércio global, a competitividade econômica e a estabilidade geoeconômica. Apesar disso, o processo ainda depende da finalização de mecanismos de implementação e salvaguardas.

A França segue como uma das principais opositoras ao tratado. O presidente Emmanuel Macron confirmou, na quinta-feira 8, o voto contrário do país. Agricultores franceses também mantêm protestos, alegando que o acordo pode gerar concorrência desleal com produtos sul-americanos, produzidos sob regras ambientais e sanitárias diferentes das exigidas pela UE.

Entre as medidas em discussão estão dispositivos para proteger setores agrícolas sensíveis, permitindo a suspensão de benefícios tarifários caso haja impactos negativos às produções locais.