A Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias de sua história recente após dois fortes terremotos atingirem o país na noite de quarta-feira 24. O governo informou que ao menos 164 pessoas morreram, 971 ficaram feridas e mais de 10 mil permanecem desaparecidas, enquanto equipes de resgate seguem as buscas em áreas devastadas. A dimensão do desastre levou o país a decretar estado de emergência e mobilizar ajuda internacional.
O balanço mais recente foi divulgado nesta quinta-feira 25, pela presidente interina Delcy Rodríguez, em pronunciamento pela televisão estatal. Segundo ela, além dos dois principais abalos, a Venezuela registrou mais de 30 tremores secundários, o que dificulta os trabalhos de resgate e amplia o risco de novos desabamentos. Um sistema criado para localizar desaparecidos contabilizava mais de 10 mil pessoas sem contato até o início da manhã, no horário local.

Os terremotos ocorreram com intervalo inferior a um minuto. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o primeiro tremor atingiu magnitude 7,2 e foi seguido, cerca de 39 segundos depois, por um segundo abalo de magnitude 7,5, ambos com epicentro a aproximadamente 160 quilômetros a oeste de Caracas. Segundo especialistas, trata-se do evento sísmico mais intenso registrado no país em mais de um século.
Modelos preditivos elaborados pelo USGS indicam que o número final de vítimas poderá crescer substancialmente à medida que as operações de busca avancem. As estimativas apontam elevada probabilidade de que o total de mortos ultrapasse 10 mil pessoas, podendo alcançar patamares muito superiores no cenário mais severo, diante da destruição observada em áreas urbanas e da quantidade de edifícios colapsados.
A tragédia atingiu especialmente Caracas e cidades próximas, onde edifícios residenciais, hotéis e outras estruturas desabaram. Equipes de engenharia, defesa civil e centenas de agentes de resgate trabalham na remoção de escombros em busca de sobreviventes, enquanto reforços internacionais começam a chegar ao país para apoiar as operações humanitárias. Os Estados Unidos anunciaram o envio imediato de recursos, equipes de busca e suprimentos médicos de emergência.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo americano está mobilizando assistência humanitária para a Venezuela. Em publicação nas redes sociais, o presidente Donald Trump também ofereceu ajuda imediata e informou que determinou às agências federais a preparação de operações de resgate e envio de insumos médicos, classificando os terremotos como um desastre de grandes proporções.
Em pronunciamento, Delcy Rodríguez afirmou que a prioridade do governo é localizar sobreviventes sob os escombros e agradeceu o apoio recebido de governos e organismos internacionais. A dirigente ressaltou que a cooperação externa será fundamental para ampliar a capacidade de resposta diante da dimensão dos danos provocados pelos tremores.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às vítimas e determinou ao Ministério das Relações Exteriores que avalie medidas de assistência em conjunto com a embaixada brasileira em Caracas. Em nota, o Palácio do Planalto reiterou o apoio brasileiro aos esforços de recuperação das áreas atingidas, enquanto o Itamaraty informou que, até o momento, não há registro de cidadãos brasileiros entre as vítimas dos terremotos.