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Educação
Sinte cobra garantia de condições sanitárias nas escolas públicas para retomada das aulas presenciais no RN
Segundo Bruno Vital, coordenador do Sinte, as aulas só devem ser retomadas em fevereiro se as condições da pandemia favorecerem esse retorno
Redação
23/11/2020 | 15:02

O Sindicato dos Trabalhadores da Educação no Rio Grande do Norte (Sinte) aponta que as escolas públicas das redes de ensino do Estado e Natal não apresentam condições sanitárias para a retomada das aulas presenciais. A estimativa é de que os alunos de unidades públicas voltem às salas de aula a partir de 1º de fevereiro de 2021.

Segundo Bruno Vital, coordenador do Sinte, as aulas só devem ser retomadas em fevereiro se as condições da pandemia favorecerem esse retorno. “A rede precisa ser adaptada com os protocolos de segurança. Ainda não observamos a rede como pronta, adequada, para receber alunos. As estruturas ainda são as mesmas e não foram adaptadas para o período”, reclamou.

A entidade sindical avalia que a rede pública de ensino — com aulas presenciais suspensas desde março — deve causar perdas para a aprendizagem. O assunto foi tema de reportagem do Agora RN sobre o assunto na edição impressa desta segunda-feira 23. A Secretaria Municipal de Educação de Natal (SME) avalia que as perdas do setor na aprendizagem dos alunos serão recuperadas em até três anos.

“Entendemos que há grandes perdas devido à suspensão. Em primeiro lugar, porque sabemos que o processo de ensino e aprendizagem necessita de trocas e de acompanhamento presencial, que ele é caracterizado, enquanto processo social pela mediação presente. Em segundo lugar porque, além de distanciar professores e alunos, as aulas remotas trouxeram condições muito desiguais especialmente para as escolas públicas.Vamos demorar algum tempo para repor essas perdas. O ano está sendo atípico e não pode ser considerado nem avaliado como anos anteriores”, avaliou Bruno Vital.

O Sinte também criticou as ações promovidas pelo Governo do Estado e Prefeitura do Natal para o ensino remoto. Os dois governos não apresentaram programas consistentes, na visão da entidade, para garantir conectividade entre professores, alunos e unidades de ensino. 

“Os dois governos não garantiram conectividade aos estudantes, o que seria importante para melhorar o contato entre professores e alunos. O Estado tem um trabalho mais consistente de reposição da carga horária, buscando meios diversos para além da internet, apesar de sabermos da insuficiência dessa reposição. O município decidiu realizar a reposição a partir do retorno, com exceção dos 9º anos. Uma diferença entre ambos está na relação com os professores. Não conseguimos negociar o reajuste do piso no município, mas conseguimos no Estado. Esse tratamento facilitou a participação da rede nas aulas remotas, fato que tende a não se repetir no município caso haja retorno. Do ponto de vista das condições de trabalho, nada foi feito para ajudar os profissionais com as novas despesas que surgiram com a pandemia, além da compra do tempo de TV. Muitos profissionais não têm sequer um computador, apesar do uso constante de sistemas e aplicativos atualmente e a internet utilizada é a de suas casas”, explicou Bruno Vital.

Ainda segundo ele, a pandemia escancarou as desigualdades sociais no ensino potiguar. Bruno Vital avalia que os alunos das escolas privadas foram privilegiados com a retomada das aulas presenciais — o setor retomou as atividades em setembro passado. Apesar da retomada para o setor privado, o Sinte considera necessária a manutenção da suspensão das atividades da rede estadual.

“O não retorno das escolas públicas significa cerca de 30% da população permanecendo em casa, o que tem um efeito positivo na saúde de toda a sociedade. Infelizmente, tivemos que optar entre a vida ou a garantia de estudar dentro de condições melhores. Optamos pela vida. Mas é necessário pensar uma política de apoio mais concreto aos estudantes, para os profissionais, que além de sobrecarregados estão gastando mais que antes para trabalhar, na internet para todos e na estruturação das escolas”, encerrou. 

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