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Economia

Fiern: ‘É preciso que setor público chegue também com investimento’

Presidente da FIERN, Roberto Serquiz, faz alerta sobre as necessidades do Estado para alcançar economicamente
Redação
31/12/2024 | 06:58

O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, apontou a urgência de maiores investimentos públicos para fomentar o desenvolvimento econômico do estado em 2025. Ele mencionou gargalos como energia renovável, infraestrutura e sustentabilidade que precisam de atenção.

“A iniciativa privada faz a parte dela, mas é preciso também que o setor público chegue com o seu investimento. O RN tem suas dificuldades, que todos nós sabemos, mas espero que, em 2025, a classe empresarial e os empreendedores possam realmente ter um apoio melhor para que, não só os que estão aqui, outros investimentos possam vir para o Rio Grande do Norte”, disse, em entrevista ao Jornal da Cidade, da 94 FM, nesta segunda-feira 30.

A infraestrutura é uma das principais fragilidades apontadas por Serquiz. As rodovias estaduais ainda apresentam limitações, mesmo com a recuperação de cerca de 400 quilômetros de estradas anunciada pelo Governo do Estado ao longo de 2024. “Tem o aeroporto, que temos uma perspectiva boa porque assumiu a nova concessionária, mas a gente precisa ver, realmente, um resultado melhor, sobretudo na questão do Aeroporto Internacional”, afirmou.

Outro ponto crítico apontado por Serquiz é a dependência do Estado em relação aos portos do Ceará e Pernambuco, que escoam 74% da produção do RN. “A questão do porto é fundamental para que a gente possa melhorar, inclusive, a arrecadação. Porque estamos patrocinando para os estados do Ceará e de Pernambuco. Isso é oportunidade que a gente perde, levando fluxo para esses estados”, lamentou.

O presidente mencionou que a FIERN realizou um estudo para viabilizar um novo porto no Estado. “O Observatório Mais RN fez uma pesquisa bem fundamentada, inclusive com o nome das empresas que fazem importação via rodoviária, mostrando a viabilidade do porto, levantando o que precisa ser feito e o retorno que ele trará ao Estado”.

No campo das legislações, Serquiz propôs a revisão da Lei Ambiental de 2004, com o objetivo de descentralizar processos de licenciamento para os municípios. “Estamos propondo a descentralização para os municípios. Aquilo que for de impacto local, que fique com os municípios. Isso descongestiona o órgão ambiental e permite ao estado focar nos grandes projetos, como energia e petróleo”, frisou.

E apontou que iniciativas como o laboratório de hidrogênio verde do Senai, já em operação, fortalecem esse setor de energias renováveis, que busca avançar na transição energética. “Hoje, ele já está fazendo pesquisa aplicada a nível laboratorial, já partindo para a escala”, disse.

E lembrou que o RN investe em energias renováveis offshore. “Transformamos o ginásio do Senai numa fábrica de boias, aquelas que fazem a medição desse grande potencial que temos no futuro do offshore, ou seja, a energia eólica no mar. Hoje estamos produzindo essas boias para todo o Brasil”, disse.

Pontos críticos, conforme a FIERN

Indústria em Expansão no RN
• A indústria potiguar registrou crescimento em 2024, com destaque para o petróleo, que teve avanço de 25% devido à operação de campos maduros por empresas privadas. Além disso, energias renováveis, mineração, fruticultura e pesca consolidaram sua importância para o PIB estadual.

Serquiz: “Esperamos que, em 2025, a classe empresarial tenha mais apoio e novos investimentos possam vir para o RN” / Foto: José Aldenir / Agora RN
Serquiz: “Esperamos que, em 2025, a classe empresarial tenha mais apoio e novos investimentos possam vir para o RN” / Foto: José Aldenir / Agora RN

Ativos Naturais no PIB
• Os ativos naturais do RN, como petróleo, energias renováveis, mineração e fruticultura, representam 75% do PIB industrial. Entretanto, a indústria de transformação, que já foi 25% do PIB, hoje corresponde a apenas 14%, embora novos investimentos estejam promovendo sua recuperação.

Dependência de Infraestrutura Externa
• Com 74% da produção escoada pelos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), o RN perde arrecadação significativa. A falta de um porto eficiente no estado compromete a competitividade industrial e logística local.

Infraestrutura em Colapso
• Estradas estaduais apresentam gargalos críticos, apesar dos 400 km de recuperação anunciados. O aeroporto internacional de Natal, mesmo sob nova gestão, ainda não atende às demandas de importação e exportação do estado.

Competitividade Prejudicada
• O RN ocupa a última posição em competitividade no Nordeste, devido à precariedade de sua infraestrutura e baixa capacidade de investimento público. Melhorias na logística e na gestão fiscal são urgentes.

Crise na Capacidade de Investimento Público
• Com dificuldades de investimento há quase duas décadas, agravadas desde 2014, o RN depende de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e recursos federais para implementar projetos essenciais e estimular o crescimento econômico.

Aposta nas Parcerias Público-Privadas
• O governo lançou editais para PPPs estratégicas, como a modernização do Centro de Turismo, Centro de Convenções, Estrada da Pipa e Rodoviária de Mossoró. A FIERN reforça a necessidade de um fundo garantidor para viabilizar esses projetos.

Energia e Liderança na Transição Energética
• O RN lidera nacionalmente em energias renováveis e investe em hidrogênio verde e energia eólica offshore. Centros tecnológicos e laboratórios no estado consolidam sua posição de destaque na transição energética.

Arrecadação e Sustentabilidade Econômica
• Apesar de não gerar ICMS diretamente como o petróleo, a energia renovável atrai investimentos bilionários, movimentando setores secundários como transporte e alimentação, que aumentam a arrecadação estadual.

Burocracia e Legislação Ambiental
• O IDEMA enfrenta congestionamento, com mais de 3 mil pedidos de renovação de poços de petróleo pendentes. A proposta de revisar a Lei Ambiental de 2004 busca descentralizar processos e destravar grandes projetos industriais.

Inspiração em Dubai
• O RN poderia usar os recursos gerados pelo petróleo para financiar a transição energética, como Dubai, que investe estrategicamente seus excedentes para diversificar e modernizar a economia.

Cenário Fiscal e ICMS
• A manutenção do ICMS em 18% não resolve a falta de capacidade de investimento, já que os recursos estão comprometidos. O governo precisa reduzir despesas, como com pessoal, e aumentar investimentos estratégicos.

Estudo Sobre o Porto do RN
• A FIERN apresentou estudo detalhado que demonstra a viabilidade econômica e logística de um porto no estado, fundamental para reduzir custos de exportação e aumentar a arrecadação local.l

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