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Superação

Sem braços e pernas, homem vai integrar equipe no Rally dos Sertões que começa nesta sexta-feira no RN

Aos 32 anos, David César vê sua participação na aventura como um estímulo para a inclusão, mas não como um exemplo de superação
O Globo
12/08/2021 | 11:34

David César, aos 32 anos, será um dos integrantes da equipe Pocorrê no Rally dos Sertões, que começa nesta sexta-feira. Mineiro, ele nasceu sem as pernas e os braços e vai integrar o time na aventura como uma forma de estimular a inclusão – e não a superação, narrativa que ele classifica como capacitista. A trajetória motorizada começa nesta sexta-feira, na praia de Pipa, em Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte.

O Rally dos Sertões vai percorrer sete estados durante cerca de nove dias. O reforço de César para o time veio depois do convite do médico Ricardo Cabral, de 47 anos, diretor da empresa de saúde onde o mineiro trabalha e também líder da Pocorrê. Ao todo, a equipe terá dez integrantes. As informações são do portal Metrópoles.

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'Você se permite? Aguarde que os sertões vêm aí!', escreveu David César em seu perfil em uma rede social Foto: Reprodução

A ideia de fazer parte de uma equipe no rally, para David César, é sinônimo de inclusão. Segundo ele, é importante mostrar que pessoas com deficiência também podem integrar os mesmos espaços que aqueles que não têm.

— Estou aqui para que as pessoas se acostumem com um ‘corpo estranho’ — contou, ao Metrópoles.

A deficiência do mineiro o acompanha desde o nascimento. A razão é a Síndrome de Hanhart, uma condição congênita rara que interfere no desenvolvimento físico do embrião, durante sua gestação, mas não causa efeitos na capacidade intelectual.

David César e Ricardo Cabral, que o convidou para a equipe Pocorrê, nos preparativos para o Rally dos Sertões Foto: Reprodução
David César e Ricardo Cabral, que o convidou para a equipe Pocorrê, nos preparativos para o Rally dos Sertões Foto: Reprodução

César destaca, no entanto, que não quer ser visto como um exemplo de superação. Ele explica que “isso é capacitismo”, ou seja, preconceito e discriminação por sua deficiência física. O mineiro reconhece as dificuldades que enfrentou, mas diz que elas talvez não sejam piores que as de outras pessoas.

— Consegui me virar bem, moro sozinho, tenho autonomia física e financeira — afirma.

Por isso, sua presença no Rally dos Sertões é importante, de acordo com ele. Para César, não é um feito excepcional, mas uma oportunidade que deveria ser dada também a outras pessoas com deficiência, que podem ocupar espaços e funções como qualquer um. O mineiro disse ao Metrópoles que sua participação é uma forma de causar impacto e defender a inclusão.

— Estar em outros espaços, permite que as pessoas me vejam. Isso é uma maneira de mostrar a diversidade existente e de defender a inclusão. No início, eu era um pouco medroso. Agora digo, pocorrê — brinca, em alusão ao nome de sua equipe, que faz referência a ‘pode correr’ no dialeto de Minas Gerais.

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