Dez em cada dez analistas políticos de Natal apostam que, sem se aliar a outra legenda, o presidente estadual do PDT e pré-candidato a prefeito da capital, Carlos Eduardo Alves, poderá caminhar para a segunda derrota consecutiva de sua carreira política em menos de dois anos, e para o terceiro “fiasco eleitoral” em menos de quatro anos. Isso porque uma “síndrome da autosuficiência” estaria levando o ex-gestor a se considerar “prefeito em férias”, e não estaria preocupado em fazer alianças que fortaleçam sua postulação à Prefeitura de Natal.
O primeiro fiasco de Carlos Eduardo foi quando ele tentou eleger a deputada federal Fátima Bezerra (PT) prefeita de Natal em 2008 e foi derrotado pela atual prefeita, Micarla de Sousa (PV). O segundo foi em 2010, quando se candidatou ao governo do Estado, mas, sem aliança que desse suporte a sua candidatura, amargou fragorosa derrota ficando em terceiro lugar. O terceiro seria em 2012?
A pergunta faz sentido porque, pela falta de aliança, Carlos poderá ver sua candidatura minguar. Mas, decerto é crendo-se vencedor do pleito de outubro que o ex-prefeito segue despreocupado das alianças partidárias.
Para formar uma aliança com os partidos do chamado arco progressista, composto pelos aliados da presidente Dilma Rousseff (PT) no Rio Grande do Norte, não alinhados com a governadora Rosalba Ciarlini (DEM), algum critério deve ser posto na mesa. Critério que habilite aquele que a ele aderir, a receber o apoio dos demais. Isto quer dizer que, para contar com o apoio do PSB da ex-governadora Wilma de Faria, por exemplo, ou do PT do deputado estadual Fernando Mineiro, Carlos Eduardo deveria, de alguma sorte, abrir mão da disputa em prol de uma aliança em torno de um nome deste arco partidário, que tem tudo para ser o dele.
Para que isso se torne factível, porém, falta-lhe o gesto. Ele não aceita a hipótese de retirada da candidatura, afirmando que não faz parte dos seus planos, já que está em primeiro lugar nas pesquisas, etc e tal… Outros afirmam que ele espera o apoio do PMDB, a retirada da candidatura duplamente “irreversível” do deputado estadual Hermano Morais (isto dito pelos líderes Henrique Alves e Garibaldi Filho), e, quem sabe assim, viabilizar sua candidatura.
Dez em cada dez analistas, todavia, acreditam que basta Wilma anunciar que será candidata para que Carlos Eduardo tenha sua postulação significativamente abalada. Além de distanciado do povo – dizem até que ele seria incapaz de fazer uma boa campanha sozinho -, o ex-prefeito também não contaria com a confiança da classe política. Seria preciso a Carlos Eduardo, portanto, “calçar as sandálias da humildade”. Foi com o topete arrebitado que ele levou com a barriga a campanha a governador em 2010, quando sequer em Natal, sua base político-eleitoral, venceu os dois principais concorrentes ao cargo.
Será que em 2012 vai ser diferente?