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Política

Secretário dos EUA responde a Flávio e acusa Brasil de restringir comércio americano

Em carta ao senador, secretário de Estado dos Estados Unidos cita entraves comerciais, agradece apoio contra facções e diz que governo americano está disposto a trabalhar com futuros líderes brasileiros
Redação
26/06/2026 | 12:27

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu à carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro e afirmou que determinadas políticas adotadas pelo Brasil “oneram ou restringem” o comércio norte-americano. O documento, datado de 23 de junho, aborda ainda temas como a relação bilateral entre os dois países, o combate ao crime organizado e o cenário político brasileiro.

A correspondência foi enviada após Flávio solicitar ao governo dos Estados Unidos a reconsideração das novas tarifas sobre produtos brasileiros. No pedido, o senador argumentou que a medida poderia provocar prejuízos à população brasileira.

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Marco Rubio respondeu à carta enviada por Flávio Bolsonaro e afirmou que práticas adotadas pelo Brasil continuam gerando divergências comerciais entre os dois países Reprodução/X

Na resposta, Rubio afirma que uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos concluiu que determinadas práticas brasileiras são consideradas “irracionais ou discriminatórias” e afetam o comércio com os EUA.

Segundo o secretário, permanecem divergências entre os dois países em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, aplicação de normas anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.

Rubio informou ainda que o processo de consulta pública sobre as medidas propostas pelos Estados Unidos permanece aberto até 1º de julho, com audiência pública prevista para 6 de julho.

Na carta, o secretário também agradeceu o apoio de Flávio Bolsonaro à decisão do governo americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas, afirmando que a medida busca enfraquecer as redes financeiras, de drogas e de armas das facções.

Ao tratar do cenário político brasileiro, Rubio disse que os Estados Unidos acompanham o otimismo manifestado pelo senador em relação às eleições de outubro e afirmou que Washington está disposto a manter uma relação de cooperação com os futuros governantes escolhidos pelos brasileiros.

“Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para buscar uma estrutura ampla, justa e mutuamente benéfica para o comércio e os investimentos”, escreveu o secretário.

Leia a íntegra da carta

“Obrigado por sua carta e por sua recente visita a Washington

Compartilho sua convicção de que a amizade duradoura entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer ancorada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Aprecio profundamente seu apoio à nossa decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como Terroristas Globais Especialmente Designados e Organizações Terroristas Estrangeiras de acordo com a legislação dos Estados Unidos.

Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas organizações ameaçam a segurança de cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.

Ao atingir suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o povo americano do crime organizado transnacional.

Como o senhor observa, o representante comercial dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, anunciou em 1º de junho de 2026 sua determinação de que determinados atos, políticas e práticas do Brasil são irracionais ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos Estados Unidos.

Ele propôs uma ação de resposta para consulta pública. Essa determinação e a ação de resposta proposta decorrem de uma investigação iniciada em julho de 2025 por determinação do presidente Trump.

O embaixador Greer deixou claro que continuamos a ter diferenças substanciais quanto à resolução das questões identificadas nessa investigação.

Essas questões dizem respeito ao comércio digital, aos serviços de pagamento eletrônico, às tarifas preferenciais consideradas injustas, à aplicação das normas anticorrupção, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e ao desmatamento ilegal.

Qualquer parte interessada no Brasil pode participar do período de consulta pública sobre a ação de resposta proposta e da audiência pública que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos realizará em 6 de julho de 2026.

O período de consulta pública permanece aberto até 1º de julho de 2026. Os pedidos para participação na audiência deveriam ter sido apresentados até 22 de junho de 2026.

Os Estados Unidos permanecem firmes em seu desejo de ver um Brasil próspero, seguro e economicamente estável.

Observamos seu otimismo em relação às próximas eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso o senhor seja eleito.

Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para buscar uma estrutura ampla, justa e mutuamente benéfica para o comércio e os investimentos.

Aguardo a continuidade de nosso diálogo e o aprofundamento da parceria estratégica entre nossas duas grandes nações.

Deus abençoe os Estados Unidos e o Brasil.

Atenciosamente,

Marco Rubio.”