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Carcinicultura

Sebrae lança em Assú programa para ampliar indústria de camarão no RN

Projeto aposta na interiorização da carcinicultura para ampliar empregos, produção e exportações no Rio Grande do Norte
Redação
27/05/2026 | 05:10

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RN) lançará no próximo dia 1º de junho um programa voltado à interiorização da carcinicultura no Rio Grande do Norte, em movimento que busca ampliar a produção de camarão cultivado, fortalecer a cadeia aquícola e consolidar um novo ciclo de crescimento econômico para o setor no Estado.

O lançamento oficial do Programa de Interiorização da Carcinicultura ocorrerá às 9h, no Cine Teatro Pedro Amorim, em Assú, reunindo produtores, representantes de instituições públicas, pesquisadores e lideranças da atividade. A iniciativa foi articulada em parceria com o Governo do Estado, o Ministério da Pesca e Aquicultura, a Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (Funcern) e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).

camarão
RN responde por 25% da produção nacional, gerando R$ 1 bilhão em receita - Foto: Reprodução

A proposta é expandir a atividade para regiões do interior potiguar com potencial hídrico e produtivo, reduzindo a concentração histórica da carcinicultura no litoral e estimulando novos polos econômicos no semiárido.

Segundo Marcelo Medeiros, gestor da área de aquicultura do Sebrae-RN, o programa pretende incentivar práticas sustentáveis, ampliar a qualificação técnica dos produtores e elevar a competitividade da cadeia produtiva potiguar.

“O programa busca incentivar práticas sustentáveis na cadeia produtiva da carcinicultura, promovendo inovação, qualificação técnica e fortalecimento da competitividade do setor no Estado”, afirmou Medeiros.

O movimento ocorre em um momento de recuperação e expansão da carcinicultura potiguar. O Rio Grande do Norte consolidou-se como o segundo maior produtor de camarão cultivado do Brasil, atrás apenas do Ceará, respondendo atualmente por cerca de 25% da produção nacional.

Dados do setor apontam que a carcinicultura potiguar movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano e gera entre 25 mil e 35 mil empregos diretos no Estado, especialmente em municípios do semiárido, onde a formalização do trabalho rural costuma ser mais limitada.

A produção estadual é estimada em cerca de 45 mil toneladas anuais, segundo projeções da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Camarão (ANCC).

A estratégia de interiorização busca replicar parcialmente o modelo adotado no Ceará, cuja expansão para áreas continentais foi decisiva para o avanço produtivo do Estado vizinho. No Rio Grande do Norte, as ações devem se concentrar em regiões como Vale do Açu, Chapada do Apodi e Seridó, áreas beneficiadas pela segurança hídrica associada a reservatórios e à integração do Rio São Francisco.

Além do crescimento produtivo, o projeto também tenta reduzir conflitos ambientais historicamente associados ao cultivo em áreas de manguezal no litoral. A interiorização passou a ser vista pelo governo estadual e pelo setor produtivo como alternativa para ampliar a produção mantendo maior regularidade ambiental e segurança jurídica.

Atualmente, cerca de 75% da produção potiguar já possui licenciamento ambiental e outorga de uso da água, segundo dados do governo estadual.

O setor também aposta na retomada gradual das exportações brasileiras de camarão. Hoje, praticamente toda a produção potiguar é absorvida pelo mercado interno, cenário que se consolidou após restrições sanitárias impostas pela União Europeia ao pescado brasileiro.

Produtores acompanham negociações conduzidas pelo Ministério da Agricultura para eventual reabertura do mercado europeu e habilitação sanitária para exportações à China, atualmente o maior consumidor mundial de camarão.

A expectativa do setor é que a ampliação do acesso ao mercado externo possa impulsionar investimentos e produção nos próximos anos. A ANCC avalia que o mercado internacional permanece amplamente aberto para o produto brasileiro, apesar das atuais restrições sanitárias.

O programa lançado pelo Sebrae também se insere em um contexto de fortalecimento institucional da cadeia produtiva. Em novembro de 2025, o governo estadual sancionou a Lei de Interiorização da Carcinicultura, que prevê incentivos para pequenos e médios produtores expandirem o cultivo no interior do Estado.

A carcinicultura potiguar também vem ampliando investimentos em processamento industrial e verticalização da cadeia produtiva. Atualmente, o Estado possui ao menos quatro plantas industriais voltadas ao beneficiamento e congelamento do camarão cultivado.

No cenário nacional, o Brasil produziu cerca de 210 mil toneladas de camarão cultivado em 2024, movimentando aproximadamente R$ 5 bilhões, segundo dados apresentados na Fenacam 2025, maior feira de aquicultura e carcinicultura das Américas, realizada em Natal.

A expectativa do governo estadual e do setor produtivo é que a combinação entre interiorização, ampliação tecnológica e eventual retomada das exportações sustente crescimento de dois dígitos da atividade nos próximos anos.