BUSCAR
BUSCAR
Aos poucos

Alta tecnologia cresce 7,7% nas exportações

Dados estão no levantamento divulgado nesta terça-feira 26, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI)
Redação
27/05/2026 | 05:00

As exportações brasileiras de produtos de alta tecnologia cresceram 7,7% em 2025, mas continuam representando parcela reduzida da pauta exportadora nacional e seguem muito abaixo das vendas de bens de baixa intensidade tecnológica, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira 26, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com o estudo, elaborado com base em dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), os produtos de alta tecnologia somaram US$ 9,1 bilhões no ano passado, equivalentes a apenas 2,7% das exportações totais brasileiras.

Tecno
Apesar de crescerem 7,7%,produtos de alta tecnologia representam 2,7% - Foto: Freepik

Em contraste, os produtos classificados como de baixa intensidade tecnológica alcançaram US$ 130,7 bilhões em vendas externas, respondendo por 37,5% da pauta exportadora nacional.

O levantamento aponta que as exportações de alta tecnologia permanecem cerca de 15 vezes menores que as de produtos de baixa complexidade industrial, reforçando um padrão histórico de especialização da economia brasileira em commodities e bens manufaturados menos sofisticados.

Para a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, o cenário representa um obstáculo estrutural para a competitividade da indústria brasileira.

“Um crescimento econômico com qualidade depende do avanço em segmentos de média-alta e alta intensidade tecnológica”, afirmou.

Segundo ela, ampliar a participação desses setores é considerado estratégico para diversificar a pauta exportadora e fortalecer a inserção internacional da indústria nacional.

O estudo mostra ainda que o crescimento do consumo doméstico foi atendido majoritariamente por produtos importados, aprofundando o desequilíbrio comercial da indústria de transformação.

Em 2025, o volume total de importações cresceu 6,1%, enquanto o déficit comercial da indústria de transformação atingiu US$ 71,3 bilhões, o maior da série histórica iniciada em 1997.

As importações industriais somaram US$ 259,7 bilhões, avanço de 8,6% em relação ao ano anterior.

Segundo a CNI, mais da metade das compras externas da indústria concentrou-se nos setores de químicos, máquinas e equipamentos eletrônicos e veículos automotores.

Apesar do déficit recorde, as exportações da indústria de transformação cresceram 3,7% em 2025 e alcançaram US$ 188,4 bilhões.

Com isso, a participação da indústria de transformação na pauta exportadora brasileira avançou de 53,9% para 54,1%, mesmo diante da queda de 1,7% nos preços internacionais dos bens manufaturados.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelos bens de consumo semiduráveis e não duráveis, que atingiram participação recorde de 22,8% nas exportações brasileiras.

O segmento foi sustentado sobretudo pelas vendas externas de alimentos e bebidas industrializados, com destaque para as exportações de carne bovina à China.

Segundo o levantamento, os setores de alimentos, veículos automotores e metalurgia responderam por 58% das exportações industriais brasileiras em 2025.

Os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações brasileiras da indústria de transformação, apesar da retração de 4,2% nas vendas. As exportações ao mercado americano somaram US$ 30,2 bilhões no período.

Já a China ampliou em 19,4% suas compras de produtos industriais brasileiros, totalizando US$ 22 bilhões. O setor de alimentos foi o principal responsável pela expansão das vendas ao país asiático.

Nas importações, a China manteve a liderança entre os fornecedores industriais do Brasil, com vendas de US$ 70,6 bilhões ao mercado brasileiro.

A Argentina também ganhou relevância na pauta exportadora industrial brasileira em 2025. As vendas ao país vizinho cresceram 31,4%, alcançando US$ 18,1 bilhões.

O desempenho foi puxado pelo setor automotivo, que registrou expansão de 57,2% nas exportações ao mercado argentino. Veículos de passageiros, caminhões e autopeças lideraram as vendas brasileiras ao país.