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Saidinha

Saidinha de Natal libera 46 mil presos em 2025, e quase 2 mil não retornam às cadeias

Levantamento em 15 estados e no DF aponta que 4% dos beneficiados descumpriram a volta; Rio de Janeiro lidera proporção de foragidos
Redação
12/01/2026 | 16:05

Mais de 46 mil pessoas privadas de liberdade deixaram os presídios brasileiros durante a saidinha de Natal no fim de 2025. Do total, cerca de 44,7 mil retornaram às unidades prisionais dentro do prazo estabelecido, enquanto aproximadamente 1,9 mil não se reapresentaram e passaram a ser considerados foragidos. O número equivale a 4% dos detentos beneficiados.

Os dados fazem parte de um levantamento realizado pelo g1 com informações de 15 estados e do Distrito Federal. Paraná e Rondônia não informaram quantos presos retornaram até o fechamento da reportagem, enquanto Minas Gerais não divulgou nem o número de liberados nem o de retornos. Oito estados não adotam a saidinha temporária: Acre, Alagoas, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Algemas (8)
Dados da saidinha de Natal mostram que quase 2 mil presos não retornaram aos presídios após o benefício em 2025 Foto: José Aldenir

O Rio de Janeiro aparece com o maior percentual proporcional de presos que não voltaram. Dos 1.868 detentos autorizados a deixar as cadeias no estado, 269 não retornaram, o que representa 14% do total. Entre eles estão integrantes de facções criminosas e cinco presos classificados como de alta periculosidade.

Bahia e Espírito Santo registraram taxa de 8% de não retorno. Já São Paulo concentrou o maior número absoluto de foragidos: 1.131 presos entre os 29,2 mil que receberam o benefício, mantendo o percentual em 4%. O Tocantins foi o único estado em que todos os 177 detentos liberados retornaram aos presídios.

A saidinha temporária é concedida a presos do regime semiaberto que apresentam bom comportamento e já cumpriram parte da pena — ao menos um sexto, se primários, ou um quarto, se reincidentes. O benefício não se aplica a condenados por crimes hediondos ou cometidos com grave ameaça ou violência.

Em maio de 2024, o Congresso Nacional aprovou o fim das saidinhas para visitas familiares e atividades de ressocialização, mantendo o benefício apenas para presos que saem para estudar ou realizar cursos profissionalizantes. Apesar do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a decisão foi mantida pelo Parlamento. No entanto, como a Constituição impede a aplicação retroativa de leis penais mais severas, a mudança só atinge condenados por crimes cometidos após a nova legislação entrar em vigor.

No Rio de Janeiro, entre os foragidos está Marco Aurélio Martinez, conhecido como Bolado, apontado como integrante do Comando Vermelho. Ele tentou fugir da prisão duas vezes nos últimos cinco anos, incluindo uma tentativa de resgate com helicóptero em 2021 e a escavação de um túnel descoberta em 2024, mas ainda assim recebeu o benefício da saída temporária. Dos presos que não retornaram no estado, 150 tinham ligação com o CV, 39 com o Terceiro Comando Puro (TCP), 23 com a facção Amigo dos Amigos (ADA) e 46 não declararam vínculo com grupos criminosos.

*Com informações do G1