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Operação

PF aponta Rodrigo Manga como líder de organização criminosa e beneficiário de esquema de corrupção em Sorocaba

Prefeito foi afastado do cargo por 180 dias; investigação indica que contratos fictícios de publicidade eram usados para lavar dinheiro desde 2021
Redação
12/11/2025 | 08:47

O documento que embasou o afastamento do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), por 180 dias, aponta o político como chefe de uma organização criminosa e principal beneficiário de um esquema de corrupção envolvendo contratos públicos.

Segundo a Polícia Federal, as atividades ilícitas teriam começado logo no início do mandato, em janeiro de 2021, e envolvem crimes de lavagem de dinheiro e atos contra a administração pública.

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Prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos) - Foto: divulgação

“O investigado Rodrigo Manga, como se viu ao longo da descrição fática exposta na presente representação, é o líder do grupo criminoso investigado e principal beneficiário das práticas delitivas que ora estão em andamento. Dessa forma, a suspensão da função pública que ele ocupa se mostra de suma importância para interromper os crimes que estão sendo praticados no âmbito da Administração Pública Municipal de Sorocaba/SP”, diz o trecho da decisão.

De acordo com os documentos obtidos pelo g1 e pela TV TEM, o esquema operava por meio de contratos de publicidade firmados entre a empresa da esposa do prefeito, Sirlange Rodrigues Frate, a ME — atual 2M Comunicação e Assessoria —, e pessoas jurídicas ligadas a outros investigados, como a Sim Park Estacionamento Eireli, de Marco Silva Mott, e a Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus, administrada por Josivaldo de Souza, cunhado de Manga, e por Simone Rodrigues Frate Souza, irmã de Sirlange.

A PF afirma que esses contratos eram falsos e serviam para dar aparência legal ao dinheiro proveniente das atividades ilícitas.
“Nesse sentido, resta claro que os contratos de publicidade firmados pela empresa da esposa do Prefeito de Sorocaba/SP, o investigado Rodrigo Maganhato, com as pessoas jurídicas acima relacionadas, não passam de ficção, um estratagema elaborado com a finalidade de reinserir na economia formal os vultosos valores de origem ilícita, provenientes da atividade criminosa desenvolvida pelo grupo, intrinsecamente vinculada ao exercício do nobre cargo eletivo de prefeito municipal (…)”, diz a representação.

Os valores lavados por meio dos contratos chegam a R$ 1,2 milhão — sendo R$ 448,5 mil com a empresa de Marco Mott e R$ 780 mil com a entidade religiosa.

A investigação também cita a contratação direta e irregular da Organização Social Instituto de Atenção à Saúde e Educação (antiga Aceni) para gerir a UPA do Éden, além de tentativa de fraude em licitação para a administração da Unidade Pré-Hospitalar (UPH) da Zona Oeste.

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Segundo a Polícia Federal, estacionamento foi usado para lavar dinheiro em Sorocaba (SP, na administração de Rodrigo Manga — Foto: Reprodução

Mensagens interceptadas pela PF sugerem o envolvimento direto do prefeito nas negociações. Em uma delas, o ex-secretário municipal Fausto Bossolo relata: “O Manga já me esculhambou hoje, pois eu havia falado que ele assinaria hoje”, em referência à assinatura do contrato emergencial da UPA do Éden.

Outro ponto investigado é a compra de um imóvel com parte do pagamento em dinheiro vivo. Segundo a PF, Rafael Pinheiro do Carmo e Cláudia Cenci Guimarães teriam ajudado a ocultar a origem de R$ 182,5 mil usados na transação.

Cunhado e empresário entre os investigados

O cunhado do prefeito, Josivaldo Batista de Souza, é apontado como operador financeiro do grupo. Ele mantinha uma “contabilidade paralela” em seu celular, com registros de supostas entradas de propina de empresas contratadas pelo poder público.

Já Marco Silva Mott, proprietário da Sim Park, é citado como integrante da organização criminosa e teria exercido grande influência dentro do grupo. Na casa dele, foram apreendidos R$ 646,35 mil em espécie.

Defesas e posicionamentos

A defesa de Rodrigo Manga afirmou, em nota, que a investigação conduzida pela Polícia Federal de Sorocaba é “completamente nula”, por ter sido iniciada de forma ilegal e conduzida por autoridade “manifestamente incompetente”.

A defesa de Sirlange Rodrigues Frate Maganhato declarou que todas as operações financeiras mencionadas são lícitas e devidamente declaradas em Imposto de Renda, afirmando que os serviços foram prestados e os valores faturados correspondem às atividades executadas.

Os representantes de Josivaldo, Simone e da Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus afirmaram que “jamais participaram de qualquer atividade ilícita” e que todos os recursos estão declarados às autoridades desde 2018.

A defesa de Marco Silva Mott informou desconhecer os fatos e disse que se manifestará após acesso às provas da investigação.

A Amhemed afirmou não ter sido notificada oficialmente sobre o caso e disse que “sempre pautou sua atuação pela legalidade, transparência e responsabilidade”, comprometendo-se a colaborar com as autoridades.

A Prefeitura de Sorocaba informou que ainda não foi notificada oficialmente e que o setor jurídico não teve acesso ao conteúdo da investigação.

As empresas City Transportes Urbano Global, Consórcio Sorocaba Ambiental e Consórcio Novo Sorocaba Ambiental (CNSA) não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

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