Desde a disputa da Copa do Mundo do Catar, em 2022, a trajetória de Neymar tem sido marcada por sucessivos problemas físicos. O atacante da seleção brasileira acumulou oito lesões no período, incluindo a recente contusão muscular de grau 2 na panturrilha direita, que colocou em dúvida sua presença na Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México.
Os números ajudam a dimensionar o impacto das lesões sobre a carreira do camisa 10. Entre o fim do Mundial do Catar e o atual ciclo da seleção brasileira, Neymar esteve em campo por 5.986 minutos. O total corresponde a aproximadamente 66 partidas e meia completas, volume semelhante ao de uma única temporada inteira em um grande clube europeu.

O desempenho contrasta com o de outros atacantes da seleção. Raphinha, por exemplo, somando partidas pelo Brasil e pelo Barcelona, acumulou 12.412 minutos em campo desde a Copa de 2022, equivalente a cerca de 138 jogos completos. Já Vinicius Júnior registrou uma marca ainda mais expressiva. Entre compromissos da seleção brasileira e do Real Madrid, o atacante alcançou 17.123 minutos, o que corresponde a aproximadamente 190 partidas completas.
Apesar do histórico recente, Neymar vinha conseguindo construir em 2026 sua sequência mais consistente de jogos desde o retorno ao Santos. Antes da nova lesão, participou de 15 partidas e acumulou 1.265 minutos em campo. Na reta final da temporada anterior, entre setembro e dezembro de 2025, também havia registrado boa sequência, somando 1.215 minutos.
Esse período, contudo, foi marcado por um sacrifício físico. Nos meses finais de 2025, o atacante chegou a disputar três partidas convivendo com dores provocadas por uma lesão no menisco. O contexto era delicado para o Santos, que lutava contra o risco de rebaixamento. Encerrada a temporada, Neymar foi submetido a uma cirurgia que o afastou das primeiras competições de 2026.
Durante entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira, o volante Casemiro afirmou que a prioridade do grupo e da comissão técnica é a recuperação física do companheiro. “O Neymar é como outro jogador dentro do grupo, mais um jogador importante entre os 26 convocados. Neste momento, ele está cuidando da lesão e querendo voltar a treinar primeiro, passo a passo, para estar bem de saúde. Só depois para pensar em protagonismo. O primeiro pensamento tem que ser a saúde”, declarou.
A comissão técnica da seleção brasileira pretende acompanhar a evolução clínica do jogador até o dia 12 de junho para decidir se ele terá condições de disputar o Mundial. Neymar permanecerá integrado ao grupo durante o tratamento e, caso não haja agravamento do quadro, embarcará com a delegação para os Estados Unidos na próxima segunda-feira 1º.
A expectativa dos médicos é que o atacante só tenha condições de atuar a partir da segunda partida da seleção na competição, marcada para 19 de junho, diante do Haiti. Por isso, sua participação nos amistosos preparatórios contra Egito, no dia 6, e Panamá, no dia 13, já está descartada.
A incerteza sobre a condição física do camisa 10 acompanhou a preparação da lista de convocados. No momento da convocação, o técnico Carlo Ancelotti trabalhava com dois cenários distintos e chegou a preparar duas listas: uma com Neymar e outra sem o jogador. Segundo informações de bastidores, uma conversa entre treinador e atleta, realizada poucos dias antes da convocação, foi decisiva. Neymar aceitou iniciar a competição no banco de reservas, o que abriu caminho para sua inclusão na delegação.
Entretanto, a situação mudou pouco antes do anúncio oficial. Na véspera da convocação, o atacante se lesionou durante uma partida do Santos contra o Coritiba. Inicialmente, o clube informou que não se tratava de um problema grave. Após a confirmação da lesão muscular de grau 2, o Santos afirmou ter compartilhado todos os exames e informações médicas com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Nos bastidores da seleção, existe preocupação com a possibilidade de um eventual corte. De acordo com apuração do colunista Marcel Rizzo, do jornal O Estado de S. Paulo, o atacante João Pedro, do Chelsea, foi colocado de sobreaviso para uma possível convocação de última hora. Outro nome monitorado pela comissão técnica é o centroavante Pedro, do Flamengo, que também surge como alternativa caso Neymar não reúna condições físicas para disputar o torneio.