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Reciclagem
RN recicla apenas 3% dos resíduos sólidos, diz sindicato
Em todo o estado, são coletadas cerca de 3,4 mil toneladas de resíduos sólidos por dia, o que representa uma média de 1,2 milhão de toneladas por ano
Ana Luiza Vila Nova
20/02/2021 | 07:45

Em todo o Rio Grande do Norte, são coletadas cerca de 3,4 mil toneladas de resíduos sólidos por dia, o que representa uma média de 1,2 milhão de toneladas por ano. Desse montante, apenas cerca de 3% é reciclado, conforme levantamento informado pelo Sindicato das Indústrias de Reciclagem e Descartáveis do Estado do Rio Grande do Norte (SindiRecicla-RN). As projeções para o ano de 2021 são do Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS).

Entre um dos diversos cenários que contribuem para esse número está o baixo índice de abrangência da coleta seletiva de porta em porta, que tem uma cobertura de apenas 13,2% em relação a toda a população do estado, segundo informações do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Outra questão apontada pelo SindiRecicla é a alta taxa de informalidade do setor, o que dificulta a intermediação das gestões municipais e, consequentemente, a precisão dos cálculos.

“Nós temos uma grande dificuldade de levantar esses dados, por conta da alta informalidade presente na cadeia da reciclagem. Tem muitas pessoas e pequenas comunidades que reciclam mas que não informam os volumes e tipos de resíduos que entram no seu processo. É necessário que haja uma forma de contabilizar o formal e o informal”, destacou Patrício de Medeiros, presidente da SindiRecicla.

Ainda segundo ele, o que falta para que esses percentuais cheguem a um nível maior, é uma política direcionada a coleta seletiva e ao desenvolvimento de cooperativas e associações, além de uma educação ambiental voltada a toda população. Atualmente o estado conta com nove cooperativas reconhecidas pelo poder público, localizadas em Natal (2), Mossoró (1), Caraúbas (1), Parelhas (1), Caicó (1), Lagoa Nova (1), Santa Cruz (1) e Arez (1).

A Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do estado (SEMARH) estima que 300 mil toneladas de resíduos poderiam ser recuperadas anualmente, se todos os 167 municípios tivessem um sistema de coleta seletiva implantada, mas a realidade é que apenas 15 municípios possuem programas de coletas seletivas formalizadas, o que representa uma abrangência de apenas 8%. Os dados, disponíveis no PERS do Rio Grande do Norte, expõem a dificuldade das gestões municipais e estadual em avançar na reciclagem dos resíduos sólidos, uma das exigências e diretrizes estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Em contrapartida, o coordenador do setor de Meio Ambiente e Saneamento da SEMARH, Robson Henrique, avalia que 95% dos municípios atende a elaboração dos Planos de Gestão de Resíduos Sólidos dentro do que estabelece a Lei nº 12.305 (PNRS), e que apenas os municípios de Extremoz, Maxaranguape, Macaíba e Ielmo Marinho não dispõem da ferramenta.

“Desde 2017, o RN alcançou índice superior a 95% dos municípios atendendo a elaboração dos Planos de Gestão de Resíduos Sólidos. Sendo assim, pode-se afirmar que quase todos as cidades já dispõem dos próprios planos municipais ou intermunicipais, ou seja, identificam o tipo e a quantidade de resíduos sólidos gerados, além das práticas ambientalmente corretas adotadas pelas prefeituras para a segregação, coleta, armazenamento, transporte e disposição final”, explicou Robson.

Rn recicla apenas 3% dos resíduos sólidos, diz sindicato
Cerca de 3,4 toneladas de resíduos sólidos são recolhidos diariamente em Natal, segundo a Urbana – Foto: Ana Luiza Vila Nova / Agora RN

Natal

Na capital potiguar, das 773 toneladas de resíduos domiciliares que são coletadas diariamente, somente 1,5% dos resíduos são, efetivamente, reciclados. Os dados, informados pela Urbana – Companhia de Serviços Urbanos de Natal, indicam também que 22 bairros são atendidos pelas coletas seletivas feitas de porta em porta, ou através de ecopontos. O número representa uma cobertura de 63% da cidade.

Questionada sobre a falta de lixeiras seletivas pelas vias da cidade, um dos instrumentos para a coleta seletiva, a Urbana informou que, em tentativas anteriores de implantação, houve um alto índice de depredação e que pretendem fomentar a educação e conscientização ambiental antes de voltar a distribuir as lixeiras em pontos estratégicos da cidade. “Agora a ideia é inverter a ordem: massificar a educação e conscientização ambiental, só então implantar as lixeiras seletivas. Voltaremos a distribuir lixeiras em pontos estratégicos da cidade, como orla, praia do meio, praia da Redinha”, afirmou a Urbana.

Indicou ainda que está previsto a construção de 32 ecopontos nos próximos anos, um dos itens que deve ser abordado na nova licitação de contratação de empresas para a limpeza pública. Entretanto, a promessa existe desde 2017, quando a Prefeitura, através de uma cooperação com o Governo do Estado, prometeu entregar 13 novos ecopontos naquele ano. Até o momento, Natal conta com somente três ecopontos, localizados no Viaduto do Baldo (Rua Mermoz, Cidade Alta); Ponta Negra (Av. Praia de Muriú); e Conjunto Parque dos Coqueiros (Av. das Seringueiras). Os ecopontos recebem até 1m³ de entulho ou poda, material reciclável, pneus, madeira e funcionam de segunda a sexta, das 08h às 18h.

Coleta Seletiva

O sistema de coleta seletiva é um instrumento essencial para diminuir a quantidade de lixo que vai parar nos aterros sanitários. Além de diminuir a demanda e, consequentemente, o impacto da extração de matéria prima virgem da natureza. De acordo com a Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a coleta seletiva deve ser implantada pelo titular do serviço público de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, ou seja, os municípios. Além disso, a legislação prevê também que a participação de cooperativas e de catadores deve ser priorizada na execução desses sistemas.

  • São resíduos sólidos recicláveis:
  • Plásticos (garrafas pet, sacolas de supermercado, mangueiras e embalagens);
  • Vidros (garrafas, potes de conservas, frascos em geral, copos e vidros de janelas);
  • Metais (latas de alumínio e aço, arames, tampinhas de garrafas, panelas, fios, pregos);
  • Papéis (papelão, sulfite, jornais, revistas, embalagens, cadernos);
  • Eletrônicos (celulares, tablets, televisores, etc).
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