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Obesidade

Projeto atende crianças contra obesidade

O projeto em andamento atende atualmente 120 crianças com acompanhamento regular e sem custo
Por O Correio de Hoje
20/04/2026 | 15:08

A obesidade infantil deve ser tratada como doença e exige acompanhamento multidisciplinar, com possibilidade de uso de medicamentos e participação ativa da família, segundo a endocrinologista Iluska Medeiros. Em entrevista à 94 FM nesta segunda-feira 20, a especialista também destacou que um projeto em andamento atende atualmente 120 crianças com acompanhamento regular e sem custo.

Segundo ela, o excesso de telas pode trazer prejuízos: “Às vezes, gera ansiedade, gera problemas oftalmológicos. Já tem vários trabalhos mostrando que quanto maior o tempo de exposição à tela, maior o risco de obesidade, porque essa criança fica mais sedentária. Então, acho que tudo é o equilíbrio”.

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“Obesidade é doença, não escolha”, diz a endocrinologista Iluska Medeiros Foto: Reprodução / 94 fm

A médica também citou avanços no tratamento da obesidade, incluindo o uso de medicamentos. “Inclusive, a gente tem possibilidade de tratamento medicamentoso, que há anos a gente não tinha. E que entra também como uma possibilidade real para tratar as crianças”, disse.

Entre os fármacos disponíveis, ela mencionou: “O que a gente tem são os análogos do GLP-1, que é o Ozempic, por exemplo. E a Liraglutida, que é liberado a partir de 12 anos em bula, mas a gente já tem trabalhos a partir de 6 anos mostrando eficácia e segurança”.

Apesar disso, o custo ainda é um obstáculo. “O que a gente esbarra ainda é na questão financeira porque são medicamentos caros, e o tratamento é a longo prazo”, afirmou. Ainda assim, reforçou a segurança dos fármacos: “São medicamentos realmente seguros e que mostram realmente um benefício no tratamento da obesidade”.

Iluska Medeiros criticou a forma como a obesidade é tratada. “Muitas pessoas tratam a obesidade como escolha e não como doença. E é uma doença”, disse. A médica destacou a importância do tratamento precoce. “Se a gente não trata essa criança e ela continua em obesidade até a adolescência, 80% vai ser um adulto obeso”, afirmou. Segundo ela, isso aumenta o risco de doenças associadas ao longo da vida.

O projeto citado pela especialista, chamado Núcleo para Tratamento da Obesidade Infantil, envolve acompanhamento contínuo. “A gente atualmente está atendendo 120 crianças que fazem acompanhamento regular. Eles voltam a cada três semanas, fazem bioimpedância, exames laboratoriais todos fornecidos pelo hospital”, explicou. “Não tem custo algum. É um projeto realmente muito bonito que, assim, mostra realmente a preocupação que o hospital tem”.

A iniciativa conta com atuação multidisciplinar e parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). “A gente não tinha educador físico no núcleo. E o que começou como projeto de extensão, hoje virou um projeto de pesquisa, com trabalhos publicados e aplaudidos, inclusive no exterior”, disse. Segundo ela, a parceria permitiu ampliar a produção científica e avaliar os impactos do tratamento. “Publicações até pra mostrar o impacto que tem o tratamento da obesidade na vida cardiovascular dessas crianças a longo prazo”.

O envolvimento da família foi apontado como fator central no tratamento. “A família tem que aderir. O resultado depende muito da adesão familiar”, afirmou. A médica relatou mudanças no ambiente doméstico: “A gente quer impactar a saúde familiar. Aquela família como um todo, aquele contexto familiar”.

A especialista também apontou desafios econômicos no acesso a alimentos saudáveis. “Hoje a gente tem uma inversão. Produtos mais saudáveis são mais caros do que os produtos industrializados, e eles são menos perecíveis”, disse. Para ela, a solução passa pela educação alimentar desde cedo. “Talvez implementar uma educação nutricional desde cedo, pras crianças entenderem qual é a diferença dos alimentos”.

O projeto atende crianças de quatro a nove anos, mediante cadastro no Hospital Varela Santiago. “Só ligar no hospital, dar o nome e o telefone que a gente entra em contato”, orientou. Telefone (84) 3209-8200 ou diretamente na recepção do Varela Santiago.