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Editorial
Procura-se um líder
Redação
04/05/2020 | 03:05

Numa inversão notável dos fatos, o presidente Jair Bolsonaro volta a apontar o isolamento social adotado por muitos governadores como o grande responsável não só pelo desemprego, mas agora também pelas mortes.

Como se os necrotérios de Manaus, São Paulo, Fortaleza ou Recife estivessem neste momento superlotados de desempregados atingidos por uma “gripezinha” que também afeta a saúde pública.

Além de uma falácia repugnante, o caso em questão passa um sofisma, cujo argumento central foi concebido justamente para produzir a ilusão de uma verdade que, sob todos os ângulos em que se olhe, não se sustenta diante dos números crescentes das vítimas no País.

E, nesta toada, o Brasil inteiro é forçado a admitir a devastadora realidade de centenas de corpos sepultados todos os dias em meio a funerais coletivos, enquanto o homem que ocupa o cargo mais importante da nação pergunta em meio a risadas de apoiadores:

“E daí?”

Se é uma brincadeira de mal gosto, já foi longe demais. O histórico negacionista de Bolsonaro dos efeitos deletérios da pandemia desconhecem os mais de 20 milhões de desempregados criados em apenas dois meses nos EUA por conta da “gripezinha”.

Os 50 milhões de mortos naquele país, nesse caso, seriam apenas um detalhe na conta pragmática e desalmada do nosso Messias?

Pela projeção dos especialistas mais renomados do mundo, esse negacionismo de Bolsonaro, somada a crença de milhões de brasileiros de que seu presidente fala a verdade, ampliará consideravelmente nas próximas semana a tragédia que já passou por outros países.

Uma escalada previsível de uma nação que desesperadamente busca um presidente para guia-lo, mas não tem.

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