O transporte público de Natal opera em colapso silencioso, sustentado por improvisos e sem respaldo legal. A avaliação é do presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Nordeste (Fetronor), Eudo Laranjeiras, que classificou a ausência de licitação como o maior gargalo do sistema. “Nós operamos o que é determinado. A gente não tem segurança jurídica, não tem contrato que garanta investimento. Um ônibus custa quase um milhão de reais. Quem vai investir sem garantia?”, afirmou.
Laranjeiras afirma que o serviço sofre com uma tarifa “amassada”, calculada sem considerar o conforto do usuário. O modelo de cálculo, baseado no Índice de Passageiros por Quilômetro (IPK), ignora gratuidade e considera o estudante como meia-passagem. Isso pressiona o sistema a operar com mais passageiros por veículo, reduzindo a qualidade do serviço e aumentando a lotação. “A tarifa é feita para baixo, não leva em conta que o passageiro quer conforto. É um modelo ultrapassado que impede melhorias reais”, disse.

Nos bastidores do setor, a avaliação é de que o último edital de licitação, que previa uma subvenção de R$ 60 milhões por ano, representaria apenas R$ 5 milhões mensais para sustentar toda a rede. Eudo considera o valor insuficiente para promover qualquer salto de qualidade. “É pouco para um serviço sequer de qualidade”, afirmou.
O presidente da Fetronor afirma que o setor enfrenta um ciclo de desvalorização que começa na falta de planejamento e termina no sucateamento do serviço. Segundo Eudo, mesmo com isenções concedidas — como a retirada do ISS pela Prefeitura do Natal e a isenção do ICMS sobre o diesel pelo Governo do Estado, que representa cerca de R$ 100 milhões —, o sistema continua sem base sólida para avançar.
Sobre o projeto de tarifa zero, já adotado em cidades como Caucaia (CE), Eudo foi direto: “Se tiver dinheiro para pagar a conta, ótimo”, sugeriu.
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