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Educação
Volta às aulas: Potiguares encontram nova realidade nas salas de aula
Escolas particulares de Natal iniciaram o retorno das atividades presenciais na última segunda-feira 14
Redação
19/09/2020 | 05:14

Um dos setores mais atingidos pela pandemia da Covid-19, a educação sofre um impacto imensurável desde março, quando escolas do Brasil inteiro paralisaram as atividades presenciais para evitar o contágio e a disseminação do vírus. Em meio a novos casos diários da doença e após meses de colégios com as portas fechadas, algumas cidades começaram o processo de retomada. Manaus, por exemplo, deu os primeiros passos. Em julho, as escolas particulares reabriram. Na rede pública, houve uma tentativa de retomada que foi cancelada quando mais de 300 professores contraíram coronavírus. A segunda tentativa está sendo realizada desde 10 de agosto, mas somente para alunos do ensino médio e programas de aprendizagem de jovens e adultos. Ainda não há previsão de retorno para as séries iniciais.   

Já em Natal, o “novo normal” para o ensino presencial foi iniciado na última segunda-feira 14 com a reabertura de escolas privadas. O sindicato que representa as instituições preparou um protocolo próprio de segurança sanitária e apresentou ao comitê científico estadual no fim de agosto. No início de setembro, pais e professores realizaram um protesto para pedir o retorno. Em seguida, a retomada das aulas presenciais nas escolas particulares foi aprovada pelo comitê científico municipal sob argumentos de indicadores positivos avaliados através de estudos técnicos, a exemplo das quedas dos índices de transmissibilidade da doença e da taxa de ocupação de leitos públicos.   

Até agora, três das 170 unidades de ensino privadas abriram e as demais devem voltar a funcionar até o fim do mês, segundo o próprio sindicato. Para tanto, as instituições precisam seguir medidas rígidas que fazem parte do protocolo definido para o atual cenário: medição de temperatura dos alunos na entrada; disponibilização de tapetes sanitizantes; sinalização de corredores; distanciamento de 1,5m das carteiras em sala de aula; divisão da turma em dois ou mais grupos; termo de responsabilidade dos pais; entre outros. Para garantir o cumprimento das medidas preventivas, a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semdes) estruturou equipes de fiscalização.    

Ao Agora RN, a psicóloga Christine Campos contou que se sentiu segura para mandar os dois filhos de volta às aulas quando a direção falou sobre os protocolos e normas adotadas para proteger as crianças. “Em casa, conversei com eles e dei orientações, como não tocar na máscara, lavar as mãos, entre outras. São pequenos, mas estão bem conscientes”. Eles têm 8 e 6 anos e estudam na escola Maple Bear.

Os dois ficaram bem durante o período da quarentena, mas em função do prolongamento da mesma, o filho mais velho se mostrou irritado, lidando com mais dificuldade ao sistema online. A filha mais nova, que adorava as aulas remotas, também estava ficando entediada. “É difícil manter a atenção quando há tantas distrações no lar”, afirmou Christine.  

“O que me levou a optar pela volta nesta etapa foi justamente a saúde emocional. Eles precisam do convívio social, mesmo com distanciamento. Ficaram animados e motivados nesses primeiros dias, e se sentem seguros e protegidos no ambiente escolar”. Para ela, a confiança no grupo pedagógico motivou a decisão. “Sabemos que, enquanto não houver vacina disponível, há riscos, mas temos que ponderar. Precisamos tomar cuidado e medir a importância das necessidades. Ainda tenho feito apenas o que considero essencial, mas a atividade escolar faz parte das atividades que são indispensáveis”. 

Retomada   

Aluna do Colégio Porto, um dos que retomou as aulas presenciais, Luanna Brito usou um argumento parecido ao de Christina para defender o retorno: a saúde psicológica. Ela estava desgastada mentalmente e não acompanhava as aulas virtuais com eficácia. “Não funcionava para mim. Às vezes, procrastinava e não estudava como deveria”. Aos 16 anos, Luanna sonha em passar no curso de direito. “Como estou na 2ª série do ensino médio, a preparação para o Enem já começou. Os conteúdos são importantes e tenho certeza que, em sala, consigo me concentrar e tirar dúvidas com os professores”.  

A jovem considerou tranquilo o retorno. “Tenho familiares do grupo de risco na minha casa e, por isso, sustento um certo receio, mas os primeiros dias mostraram que as aulas serão seguras. Há apenas 12 estudantes na minha turma, medimos a temperatura, levamos máscaras para troca a cada 2 horas, tem álcool em gel em todos os ambientes e o lanche é entregue na sala. Seguindo as recomendações, espero que os casos não aumentem e que a realidade fique um pouco mais fácil agora, até a chegada da vacina”, afirmou. A escola está combinando aulas presenciais e aulas remotas síncronas, através de rodízio de alunos por turma.   

Ensino 

No início da quarentena, o professor de geografia Olavo Vitorino precisou se reinventar e buscar estratégias para um ensino remoto de qualidade. “Foi desafiador porque tive que descobrir metodologias efetivas para as crianças”, relembrou. Ele explorou ferramentas que não eram usadas frequentemente, como o Google Earth, um programa cuja função é apresentar um modelo tridimensional do globo terrestre, construído a partir de mosaico de imagens de satélite.  

Por causa dos benefícios da tecnologia, Olavo acredita que o modelo de ensino híbrido veio para ficar, desde que haja a capacidade para garantir a equidade e o fornecimento de conectividade para a maior quantidade possível de estudantes. “A maioria das instituições planejou turmas divididas em pequenos grupos para rodízio dos dias de aulas presenciais. Dessa forma, os alunos irão poucas vezes por semana à escola e farão o restante do ensino remotamente. Esse vínculo com o professor é indispensável na aprendizagem, ainda que em poucas ocasiões”.   

Redes municipal e estadual  

As redes municipal e estadual devem retomar as aulas presenciais apenas em 2021, de acordo com decisões tomadas pelo prefeito da capital potiguar Álvaro Dias (PSDB) e pela governadora do RN Fátima Bezerra (PT). “Em 2020, as escolas darão continuidade às atividades não-presenciais, intensificando aulas online por plataformas digitais. O plano de retomada priorizará a preparação das estruturas físicas e pedagógicas para assegurar a segurança dos estudantes e dos profissionais”, disse a governadora.  

Parnamirim

A Prefeitura de Parnamirim, na Grande Natal, autorizou na última terça-feira 15 a volta às aulas presenciais nas escolas da rede privada. O decreto assinado pelo prefeito Rosano Taveira (Republicanos) estipula protocolos similares aos adotados na capital potiguar. As escolas também deverão testar todos os funcionários para a Covid-19. Além disso, a prefeitura publicou um decreto que prorroga até 9 de outubro a suspensão das aulas presenciais na rede pública de ensino. Segundo a norma, nessa data será avaliado o retorno.  

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