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Delação

Possível delação de Vorcaro depende de análise de celulares apreendidos pela PF

Investigadores aguardam perícia em oito aparelhos do dono do Banco Master antes de discutir eventual acordo de colaboração
Redação
08/03/2026 | 13:54

A possibilidade de delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deve ser discutida apenas após a conclusão da análise dos celulares apreendidos pela Polícia Federal durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, realizada na última semana.

Segundo informações apuradas, os investigadores querem primeiro acessar todos os dados contidos nos aparelhos para entender a dimensão do caso e identificar possíveis envolvidos. No momento da prisão de Vorcaro, em São Paulo, na quarta-feira 4, a PF apreendeu mais três celulares que estavam com o empresário.

vorcaro preso
Daniel Vorcaro teve celulares apreendidos pela Polícia Federal durante operação e aparelhos aguardam perícia Foto: Divulgação

Os aparelhos permanecem lacrados e ainda não passaram por perícia. Com isso, já são oito celulares atribuídos a Vorcaro que deverão ter o conteúdo extraído e analisado pelos investigadores.

Há também a possibilidade de que um eventual acordo de colaboração seja firmado diretamente com a Polícia Federal, e não com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A legislação brasileira prevê essa possibilidade. Pela Lei das Organizações Criminosas, tanto o delegado responsável pelo caso quanto o Ministério Público podem formalizar acordos de delação premiada.

O advogado criminalista Paulo Suzano explica que esse tipo de procedimento é permitido, embora não seja o mais comum.

“Apesar de não ser tão comum, a legislação prevê, sim, que o delegado de polícia possa fazer isso. Depende das especificidades de cada situação. O caso de Vorcaro é muito singular, e um ato tão inédito também deve ter soluções inéditas”, afirmou.

A preocupação com uma possível colaboração aumentou após o vazamento de mensagens que indicariam proximidade entre Vorcaro e autoridades. Para que a delação seja aceita, no entanto, o empresário precisará apresentar provas consistentes que confirmem suas declarações e apontar outros possíveis envolvidos, incluindo pessoas que estariam acima dele na suposta organização criminosa investigada.