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Mundo

População de Taiwan reforça treinamentos temendo invasão chinesa

Moradores da ilha buscam cursos de combate, primeiros socorros e defesa civil enquanto cresce temor de invasão chinesa
Por O Correio de Hoje
13/05/2026 | 13:00

O aumento das tensões entre China e Taiwan levou civis taiwaneses a procurar, em escala crescente, treinamentos privados de defesa e combate. Em meio ao temor de uma possível invasão chinesa, moradores da ilha passaram a participar de cursos de movimentação em combate, primeiros socorros em cenários de guerra e manuseio de rifles de airsoft, organizados por grupos independentes.

A mobilização ocorre às vésperas da cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, que começa nesta quinta-feira 14, em Pequim. Em Taiwan, parte da população acompanha o encontro com expectativa de que o futuro da ilha esteja entre os principais temas discutidos pelas duas maiores potências do mundo.

Taiwan
População civil de Taiwan treina temendo invasão militar da China Foto: Reprodução/Internet

Os treinamentos civis refletem uma percepção crescente de vulnerabilidade diante da pressão militar chinesa sobre o território taiwanês. “Taiwan tem que ser responsável por sua própria defesa. Nosso interesse é o mesmo que o dos EUA, do Japão e o de todas as pessoas ao redor do mundo. Acredito que todos têm que lutar pelos seus próprios interesses”, afirmou Dan Lu, organizador de uma das células de treinamento.

Levantamento realizado entre 2021 e 2023 pelo Instituto de Pesquisa de Defesa e Segurança Nacional, ligado ao Ministério da Defesa Nacional de Taiwan, aponta que cerca de 70% da população sem filiação partidária estaria disposta a resistir a uma eventual invasão chinesa.

Entre apoiadores do governista Partido Democrático Progressista, o índice chega a pelo menos 88%. Já entre simpatizantes do oposicionista Kuomintang, o percentual de apoio à resistência caiu para 38% no período analisado.

“Se você não é autossuficiente e não se posiciona por si mesmo, então nada pode ser feito por você. Nosso país é tão rico hoje em dia que acho que poderíamos comprar mais armas para proteger nossa gente. Não temos um grande exército e nossos números militares em geral são baixos. Se nós, os cidadãos, não fizermos isso, quem vai?”, disse Michelle Chen, participante dos treinamentos.

A reunião entre Trump e Xi acontece em um momento de escalada diplomática e militar envolvendo Taiwan. Nesta segunda-feira 11, Trump afirmou que o tema estará na pauta da conversa com o líder chinês. Pequim considera Taiwan parte inseparável de seu território e mantém pressão crescente sobre a ilha.

Em dezembro de 2025, a China mobilizou tropas da Aeronáutica e da Marinha para exercícios militares conjuntos ao redor de Taiwan. O governo chinês classificou as operações como um “alerta severo” contra movimentos separatistas e contra o que chama de “interferência externa”.

No mesmo período, Trump autorizou um pacote militar de US$ 11 bilhões para Taiwan, o maior já aprovado pelos Estados Unidos em favor da ilha.

Nesta terça-feira 12, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, reiterou a oposição de Pequim à venda de armas americanas para Taiwan, descrita pelo governo chinês como uma “região chinesa”. Segundo ele, a posição da China sobre o tema é “consistente e clara”.

Já o presidente taiwanês, Lai Ching-te, agradeceu publicamente o apoio militar dos Estados Unidos e afirmou que Taiwan não recuará diante da pressão chinesa. Em mensagem enviada à Cúpula da Democracia de Copenhague, Lai declarou que a ilha permanece comprometida com sua autonomia política.

“Há três décadas, Taiwan realizou sua primeira eleição presidencial livre sob ameaça de mísseis da China, e a ilha é um importante farol da democracia na Ásia. O povo de Taiwan jamais recuou diante do aumento dos desafios externos e nunca se curvará à pressão. Taiwan é uma nação soberana e independente”, afirmou.

A expectativa de analistas internacionais é que o encontro entre Trump e Xi tenha impacto direto sobre o equilíbrio estratégico no Indo-Pacífico, especialmente em relação ao futuro das garantias militares americanas à ilha taiwanesa.