Após ter seu nome rejeitado pelo Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Jorge Messias se afastou das atividades públicas da Advocacia-Geral da União e iniciou um período de reflexão sobre sua permanência no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Messias entra em férias a partir desta quarta-feira 13. O afastamento deve durar duas semanas, com retorno previsto para 25 de maio. Pessoas próximas defendem que ele continue no comando da AGU e use esse intervalo para recuperar o fôlego e decidir, com mais tranquilidade, os próximos passos.

A interlocutores, o ministro tem dito que vive um “período de silêncio”. Segundo aliados, ele continua prestigiado por Lula, mantém bom trânsito entre os integrantes da carreira e é visto internamente como um gestor que contribuiu para fortalecer a estrutura da instituição.
Entre os argumentos apresentados para convencê-lo a permanecer, está a avaliação de que a derrota no Senado, em 29 de abril, não representou uma rejeição pessoal, mas o resultado de uma conjuntura política adversa e da correlação de forças no Congresso no momento da votação.
Com base nessa leitura, auxiliares sugerem que Messias permaneça temporariamente fora dos holofotes e delegue tarefas mais visíveis a integrantes de sua equipe, retomando gradualmente a coordenação das atividades.
A preocupação é evitar que a repercussão da derrota interfira em julgamentos relevantes. A avaliação é de que, caso ele se manifeste pessoalmente no plenário do STF neste momento, o debate jurídico pode acabar eclipsado pela discussão política em torno de sua rejeição.
Interlocutores lembram ainda que a atuação do advogado-geral da União vai muito além das sustentações orais no Supremo. Como chefe da AGU, Messias coordena a estratégia jurídica do governo federal, orienta a atuação dos órgãos vinculados, define prioridades e presta assessoramento direto ao presidente da República.
Segundo relatos, o ministro chegou a cogitar deixar o cargo na noite em que o Senado rejeitou sua indicação ao STF. Abalado com o resultado, sinalizou essa possibilidade ao próprio Lula, em conversa no Palácio da Alvorada.
O presidente, no entanto, teria pedido que ele permanecesse no governo e evitasse qualquer decisão precipitada.