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Arte

Pinacoteca recebe exposição com conflitos do mundo atual

Exposição do potiguar Janderson Azevedo reúne instalações e performances com entrada gratuita
Redação
05/05/2026 | 06:16

A Pinacoteca do Estado do Rio Grande do Norte abre, no sábado 9, as portas para uma exposição que não se contenta em ser apenas observada. “Contra a Máquina de Moer Mundos”, primeira mostra individual do artista potiguar Janderson Azevedo, se instala como um território de fricção — entre matéria e política, entre desgaste e resistência — convocando o público a olhar e a se implicar.

O projeto reúne um conjunto inédito de trabalhos recentes que atravessam instalação, fotoperformance, videoperformance e objetos. A ocupação do espaço não segue uma lógica contemplativa tradicional; ao contrário, constrói uma experiência imersiva e crítica, na qual imagens, materiais e situações parecem agir sobre o visitante, tensionando a percepção do presente.

Pinacoteca abre no sábado a mostra “Contra a Máquina de Moer Mundos”, primeira individual de Janderson Azevedo - Foto: Isadora Aragão
Pinacoteca abre no sábado a mostra “Contra a Máquina de Moer Mundos”, primeira individual de Janderson Azevedo - Foto: Isadora Aragão

Com curadoria de Sanzia Pinheiro, a exposição articula temas que atravessam o debate contemporâneo — disputa por território, exploração de recursos naturais, violência política e formas de controle da vida. Não se trata de um inventário de crises, mas de uma tentativa de dar forma sensível a processos históricos ainda em curso. Ao mobilizar materiais como minerais, concreto, água e resíduos, Janderson Azevedo inscreve no espaço expositivo marcas físicas de um mundo em transformação — e em conflito.

A organização da mostra se ancora em ideias como corrosão, ruína e resistência. São conceitos que não aparecem como abstrações, mas como forças materiais que atravessam as obras. Em um cenário onde permanência e colapso coexistem, o artista evidencia as tensões de um tempo em que estruturas parecem simultaneamente sólidas e prestes a desmoronar.

Como afirma a curadora, a exposição “enfrenta as engrenagens que naturalizam a violência e transformam a vida em recurso, ao mesmo tempo em que cria imagens que interrompem esse fluxo e devolvem complexidade ao que se tenta simplificar”. A frase funciona como chave de leitura para uma mostra que recusa soluções fáceis e aposta na densidade da experiência.

“Contra a Máquina de Moer Mundos” também se distancia de uma postura meramente diagnóstica. Em vez de apenas apontar fraturas, propõe um encontro direto com elas — e, sobretudo, com as forças que resistem à captura. Há, no conjunto, uma tensão constante entre desgaste e insurgência, como se cada obra carregasse em si tanto a marca da erosão quanto a possibilidade de reexistência.

Essa dimensão se conecta diretamente à trajetória de Janderson Azevedo. Formado em Artes Visuais pela UFRN em 2023, o artista constrói uma prática que articula criação e atuação técnica no campo da arte contemporânea. Performer, diretor de arte e produtor cultural, ele também atua com montagem, marcenaria e desenvolvimento de projetos por meio da Vermelho Arte Produção. Sua experiência prática com a materialidade — do fazer à construção — reverbera nas obras, que parecem carregar uma consciência tátil dos processos que as constituem.

Com passagens por exposições e ações artísticas no Rio Grande do Norte e em outros estados do Nordeste, Janderson investiga, em sua produção, as relações entre matéria, território e processos sociais. Essa investigação ganha, agora, escala institucional e densidade conceitual em sua primeira individual.

A exposição integra um esforço coletivo que envolve produção da Curumim Arte e Cultura e Vermelho Arte Produção, com apoio de Bólide 1050, Fio Produções e da própria Pinacoteca. A realização é da Fundação José Augusto, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Sistema Nacional de Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal.

No fim, “Contra a Máquina de Moer Mundos” se apresenta menos como resposta e mais como provocação. Ao tensionar o presente e expor suas fissuras, a mostra abre espaço para imaginar outras formas de existência — ainda incertas, mas insistentes.

Serviço

Exposição: Contra a Máquina de Moer Mundos
Abertura: Sábado 9, às 10h
Local: Pinacoteca do Estado do Rio Grande do Norte
Endereço: Praça Sete de Setembro, Cidade Alta, Natal/RN
Entrada: gratuita