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PIB

PIB avança apesar de juros e petróleo

Monitor do PIB da FGV aponta avanço de 0,1% no mês e expansão de 1,8% em relação a abril de 2025
Por O Correio de Hoje
19/06/2026 | 12:50

A economia brasileira manteve trajetória de crescimento em abril, mesmo diante de um cenário marcado por juros elevados e pela alta do petróleo no mercado internacional. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,1% na comparação com março e registrou expansão de 1,8% em relação a abril de 2025, segundo o Monitor do PIB, divulgado nesta quinta-feira 18, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

O levantamento mostra que, no trimestre móvel encerrado em abril — compreendendo os meses de fevereiro, março e abril —, a atividade econômica cresceu 1,8% na comparação com igual período do ano anterior. No acumulado de 12 meses, a expansão alcançou 2%. O estudo reúne indicadores da indústria, comércio, serviços e agropecuária e é acompanhado pelo mercado como um dos principais termômetros da economia antes da divulgação oficial das contas nacionais pelo IBGE.

Indústria PIB Copia
PIB cresce em ritmo lento na relação de um mês para outro, porém, quando comparado ao ano passado, a elevação é maior com o peso da indústria - Foto: marcelo frazão / agência brasil

Para a economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, o resultado evidencia a capacidade de resistência da atividade econômica diante de fatores adversos. “A maior parte dos componentes da economia teve desempenho positivo, indicando certa resiliência em meio ao cenário de juros elevados e aumento do preço do barril do petróleo, como uma das consequências da guerra no Oriente Médio”, afirmou. Durante quase todo o mês de abril, a taxa Selic permaneceu em 14,75%, nível considerado restritivo para consumo e investimentos. No fim do mês, o Banco Central iniciou um ciclo gradual de redução dos juros, repetido nesta quarta-feira 17, quando a taxa foi reduzida para 14,25%.

Entre os componentes da demanda, o destaque foi o consumo das famílias, que avançou 2,6% no trimestre móvel encerrado em abril, na comparação com o mesmo período de 2025. Trata-se do maior ritmo de crescimento desde o trimestre encerrado em fevereiro do ano passado. As exportações também contribuíram para a expansão da atividade, com crescimento de 9,3%, impulsionadas principalmente pela indústria extrativa, cujas vendas externas aumentaram 27,8% no período e responderam por cerca de 60% do desempenho exportador.

Os investimentos apresentaram sinal de recuperação após um período de enfraquecimento. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede os investimentos em máquinas, equipamentos e construção, registrou expansão de 0,7% no trimestre móvel encerrado em abril. Foi o primeiro resultado positivo após quatro trimestres móveis consecutivos de retração. Segundo a FGV, a taxa de investimento da economia alcançou 18% em abril.

Em valores correntes, o Monitor do PIB estima que a economia brasileira movimentou R$ 4,376 trilhões entre janeiro e abril deste ano. Os números reforçam o quadro de desaceleração gradual, mas sem interrupção do crescimento, em um ambiente ainda marcado por incertezas externas. A cautela do Banco Central na condução da política monetária continua associada aos riscos inflacionários decorrentes do encarecimento do petróleo e de seus reflexos sobre combustíveis e cadeias produtivas.

Os dados da FGV convergem com outros indicadores recentes de atividade. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na quarta-feira 17, apontou crescimento de 0,5% entre março e abril e expansão de 1,6% no acumulado de 12 meses. O resultado oficial do PIB brasileiro será divulgado pelo IBGE em 1º de setembro, quando serão conhecidos os números referentes ao segundo trimestre de 2026. No primeiro trimestre do ano, a economia havia crescido 1,1%.