BUSCAR
BUSCAR
Influenza

Casos de viroses respiratórias atingem pico anual e lotam unidades de saúde

Luiz Roberto Marinho afirma que pico anual dos casos ocorre entre abril e julho e alerta para sinais que exigem atendimento médico
Por O Correio de Hoje
19/06/2026 | 13:11

Com unidades de pronto-atendimento e hospitais registrando aumento na procura por pacientes com sintomas respiratórios, o médico infectologista Luiz Roberto Marinho reforçou a importância da vacinação contra a influenza e explicou os motivos que levam ao crescimento dos casos neste período do ano. Em entrevista ao Jornal da Cidade, da 94 FM Natal, nesta quarta-feira 18, o especialista afirmou que o período entre abril e julho corresponde ao pico anual de incidência das viroses respiratórias.

Segundo o médico, embora essas infecções ocorram ao longo de todo o ano, a elevação dos casos está relacionada ao aumento das chuvas. “As viroses respiratórias existem praticamente durante os 365 dias de cada ano. No entanto, a incidência maior começa a partir do aumento da precipitação pluviométrica, das chuvas”, explicou.

Vacinação agentes de segurança publica (21)
Imunização não impede todos os casos de gripe, mas reduz o risco de internações - Foto: José Aldenir

De acordo com ele, a expectativa é de redução gradual dos casos nos próximos meses. “Espera-se que em agosto a gente tenha já uma maior tranquilidade em relação ao acometimento da população por essas enormes e diversas viroses respiratórias”, disse.

Ele destacou que existem atualmente duas vacinas voltadas para os vírus respiratórios que mais causam formas graves da doença. A principal delas é a vacina contra a influenza, disponibilizada anualmente para toda a população. “Essa vacina impede ou pelo menos dificulta a influenza, que é uma das mais frequentes e mais comuns e talvez a mais potencialmente grave dessas viroses respiratórias”, afirmou.

Ele explicou que a imunização é direcionada aos vírus que mais frequentemente levam pacientes a quadros graves e internações em unidades de terapia intensiva (UTI). Outra vacina citada pelo especialista é a destinada ao vírus sincicial respiratório, ainda não disponível de forma ampla pelo Ministério da Saúde para toda a população.

Segundo o infectologista, o vírus sincicial respiratório costuma atingir com maior gravidade crianças menores de dois anos e idosos acima de 65 anos. “Esses grupos populacionais são os que mais são susceptíveis de desenvolver as formas graves”, observou. Apesar da existência dessas vacinas, ele ressaltou que o universo das viroses respiratórias é muito maior. “Nós temos aproximadamente 200 vírus diferentes causadores dessas chamadas viroses respiratórias”, afirmou.

O médico lembrou ainda que os vírus da influenza possuem histórico de causar epidemias e pandemias. “A influenza e os vírus pertencentes a essa família conseguem até causar pandemias. Como nós tivemos a última grande pandemia, em 2009, pelo vírus influenza”, disse. Ele também citou a pandemia de Covid-19, causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, entre 2020 e 2022.

Vacina

Ao comentar a resistência de parte da população à vacinação, especialmente entre pessoas que afirmam ter adoecido mesmo após receber a dose no ano anterior, o infectologista explicou que a imunização não garante proteção absoluta contra qualquer infecção respiratória.

Ele explicou que mesmo pessoas vacinadas podem contrair influenza, mas tendem a desenvolver quadros menos graves. “Dificilmente o paciente anualmente vacinado contra influenza terá a maior gravidade que a doença pode causar, que é a chamada Síndrome da Angústia Respiratória”, destacou.

O médico também manifestou preocupação com a queda da procura pelas campanhas de imunização. Segundo ele, as doses continuam disponíveis nos postos de saúde das redes estadual e municipal. “A gente tem visto que a vacina contra influenza continua sobrando nos postos de saúde”, afirmou.

Ele lembrou que o Brasil já apresentou índices de cobertura vacinal considerados ideais. Segundo o especialista, a influenza continua sendo a principal preocupação entre as viroses respiratórias por sua capacidade de causar complicações e mortes. “Ela é a que mais contribui com casos graves e a que mata mais quando você vai analisar a letalidade de todas essas viroses respiratórias”, afirmou.

O infectologista explicou que os sintomas iniciais das viroses respiratórias costumam ser semelhantes e, na maioria dos casos, afetam apenas as vias aéreas superiores. Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de garganta, coriza, obstrução nasal, tosse e produção de secreção. Segundo ele, a maioria dos pacientes evolui de forma benigna.

O médico alertou, porém, para sinais que exigem avaliação médica imediata. Entre eles estão alterações no estado de consciência e dificuldade respiratória. “Aqueles pacientes que apresentam alteração do nível de consciência, pacientes que, de uma hora para outra, começam a não contactar as pessoas de maneira correta”, explicou.

Outro sinal importante é a falta de ar. “Na hora que você tem uma dificuldade de respirar, o que a gente chama de dispneia, aquela dificuldade que o paciente faz força para manter a oxigenação dos seus tecidos”, afirmou. Segundo ele, esses sintomas podem indicar comprometimento pulmonar e necessidade de exames ou até mesmo internação.

Entre os pacientes mais vulneráveis, ele destacou pessoas com doenças pulmonares crônicas e fumantes que já apresentam dificuldades respiratórias. Ele recomenda reforço da hidratação, com água, sucos, chás e sopas, para facilitar a eliminação das secreções respiratórias.

Para controle dos sintomas, o médico citou medicamentos de uso comum para dor e febre, como dipirona e paracetamol. O médico esclareceu ainda uma dúvida frequente da população sobre a vacinação após um episódio de gripe ou resfriado.

Segundo ele, pessoas sem febre e sem comprometimento importante do estado geral podem receber a vacina, mas o ideal é aguardar a recuperação clínica. “Não tem mais febre, já está disposto, com alimentação normalizada, já pode fazer uso dessa vacina”, explicou.