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Overload
PF cumpre mandado em Genipabu, e o RN é alvo de operação contra o tráfico
Mandados de busca e apreensão da Polícia Federal foram executados em uma residência na praia de Genipabu, no litoral Sul da Grande Natal; PF diz não há tem relação com a descoberta de 238 quilos de cocaína que estavam escondidos em um caminhão em Natal
Anderson Barbosa
07/10/2020 | 05:01

O Rio Grande do Norte foi novamente palco de uma operação realizada pela Polícia Federal contra o tráfico internacional de drogas. A ação foi realizada nas primeiras horas da manhã desta terça-feira 6, e cumpriu ordens judiciais em quatro estados.

No território potiguar, mandados de busca e apreensão foram executados em uma residência na praia de Genipabu, no litoral Sul da Grande Natal. Lá, os policiais federais apreenderam documentos, um aparelho celular e um HD de computador.

Esta é a segunda operação de combate ao tráfico de drogas internacional ocorrida no estado desde o final de semana. Porém, segundo a PF, não há tem relação com a descoberta de 238 quilos de cocaína que estavam escondidos em um caminhão, apreensão feita no sábado 3 dentro do Porto dee Natal.

Operação Overload

A ação realizada nesta terça foi batizada de Operação Overload, que investiga uma ‘complexa organização criminosa’ voltada para o tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão no Rio Grande do Norte, São Paulo, Amazonas e Mato Grosso.

Segundo a corporação, a principal base do grupo é o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), sendo que a quadrilha tem ramificações em diversos estados e no exterior.

Dois investigados morreram após confronto com agentes, diz a PF. As identidades dos suspeitos não foram reveladas. Ao todo, mais de 200 policiais federais, 80 policiais militares e 6 policiais civis cumpriram 44 mandados de busca e apreensão e 35 mandados de prisão temporária nos quatro estados.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, as investigações tiveram início em fevereiro de 2018, com a apreensão, na Área Restrita de Segurança do Aeroporto Internacional de Viracopos, de 58 quilos de cocaína que seria enviada à Europa. No entanto, ao longo das investigações, os agentes apreenderam ao todo cerca de 250 quilos do entorpecente.

Organização criminosa composta por brasileiros e estrangeiro

A PF revelou ainda que os investigadores mapearam a atuação de toda a organização criminosa, identificando as lideranças, as pessoas com quem se relacionaram e o processo utilizado para exportar grandes quantidades de cocaína – a partir de Viracopos, com destino à Europa – além dos métodos utilizados para ocultar o lucro obtido com o empreendimento criminoso.

Segundo a PF, a organização criminosa é composta por brasileiros e estrangeiros, sendo que a atuação desses últimos se dá em solo europeu no recebimento da droga.

Já os brasileiros, são apontados pelos investigadores como principais fornecedores da cocaína e financiadores do esquema criminoso, além de responsáveis pelo aliciamento de funcionários aeroportuários, pela interferência ilícita nas operações de logística aeroportuária e lavagem de dinheiro.

“Entre os empregados e ex-empregados de empresas prestadoras de serviço na área restrita de segurança do aeroporto aliciados há dezenas de pessoas em funções diversas (vigilantes, operadores de tratores, coordenadores de tráfego, motoristas de viaturas, auxiliares de rampa, operadores de equipamentos e funcionários de empresas fornecedoras de refeições a tripulantes e passageiros), que eram os responsáveis pelo esquema de embarque das drogas nas aeronaves com destino ao exterior”, ressaltou a PF em nota.

Além desses empregados, também foram cooptados pela organização criminosa – e presos na Overload – um policial militar e um policial civil.

Investigações

Ao longo das investigações que culminaram na Overload, a Polícia Federal realizou sete apreensões de drogas, sendo que ainda flagrou um operador de logística no momento em que tentava inserir droga no avião.

Esquema de tráfico

Para a exportação da droga eram utilizados tanto o terminal de passageiros quanto o terminal de cargas do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), indicou a PF. As operações ilícitas contavam com a atuação de três grupos distintos:

  • Operadores externos: pessoas que não fazem parte do quadro de funcionários do aeroporto de Viracopos e são os responsáveis pelas tratativas com investidores e traficantes estrangeiros, bem como pelo aliciamento de empregados aeroportuários;
  • Operadores internos: empregados aeroportuários aliciados que exercem suas atividades na área restrita de segurança, especialmente em funções que envolvam carga e descarga de aeronaves e suas movimentações;
  • Operadores estrangeiros: traficantes em solo europeu responsáveis pela retirada da cocaína remetida a partir do Aeroporto Internacional de Viracopos.

A Polícia Federal frisou ainda que a ‘sofisticação’ da quadrilha também se revelou com seus métodos de lavagem de bens adquiridos com dinheiro do tráfico – aquisição de imóveis, veículos, contas bancárias em nome de terceiros e empresas no exterior. A Justiça decretou o bloqueio de propriedades, carros e contas dos investigados.

Segundo a PF, o nome da operação (Overload) vem do termo inglês empregado para excesso de carga ou carga excessiva, com alusão à droga ilícita inserida clandestinamente nos aviões em meio a carga regular.


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