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Investigação

PF aponta elo entre Castro e Vorcaro

Investigação cita R$ 3 bilhões aplicados pelo Rioprevidência no Banco Master e em fundos ligados à instituição sem respaldo técnico
Por O Correio de Hoje
27/05/2026 | 15:56

A Polícia Federal aponta que a proximidade entre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro teria favorecido aplicações de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Banco Master e em fundos vinculados à instituição financeira. A investigação sustenta que os aportes foram realizados sem critérios técnicos adequados e em desacordo com normas de segurança para investimentos previdenciários.

Castro e outras cinco pessoas, entre elas ex-dirigentes do Rioprevidência, foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF nesta terça-feira 26. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os investigadores, o inquérito reúne uma série de indícios de irregularidades nos investimentos feitos pelo fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais.

Castro foto Marcelo Regua GoveRio Grande do Norteo do Rio
Foi a segunda operação da PF contra ex-governador do Rio apenas neste mês - Foto: Marcelo Régua / Governo do RJ

Além de endereços ligados aos investigados, os agentes estiveram em uma empresa suspeita de operacionalizar pagamentos relacionados ao esquema e em uma corretora que comercializava títulos do Banco Master. A PF suspeita que um lobista recebia comissão de 0,6% sobre os valores captados junto a fundos de previdência para aplicações na instituição financeira.

Foi a segunda operação da PF contra Castro apenas neste mês. No último dia 15, o ex-governador já havia sido alvo de buscas em outra investigação, relacionada a supostas irregularidades em benefícios concedidos à Refit. Em nota divulgada à imprensa, o advogado Carlo Luchione, que representa Castro, afirmou que a defesa ainda analisa a decisão judicial e aguarda acesso integral aos autos para definir quais medidas serão adotadas. O ex-governador nega relação indevida com Vorcaro.

De acordo com a decisão de Mendonça, mensagens extraídas do celular de Vorcaro, registros de encontros entre o banqueiro e Castro e documentos internos do Rioprevidência reforçam a suspeita de direcionamento político dos investimentos. O material também inclui alertas emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).

A investigação afirma que o “alinhamento político” entre os dois teria ocorrido em um período em que o Banco Master já enfrentava dificuldades de liquidez e precisava ampliar a captação de recursos. A instituição acabou liquidada pelo Banco Central em novembro do ano passado diante de indícios de fraudes, e Vorcaro está preso.

Na decisão, Mendonça afirma que há indícios de que Castro exercia papel relevante para viabilizar os aportes do Rioprevidência no Master. Segundo o ministro, conversas encontradas no celular de Vorcaro sugerem que determinadas aplicações dependiam de aval político do então governador.

A PF também sustenta que Castro e Vorcaro mantinham relação próxima, com encontros frequentes, inclusive fora do país. Para a Procuradoria-Geral da República, a relação teria ultrapassado o âmbito institucional e alcançado “indícios concretos” de negociações ilícitas.

As investigações apontam dois momentos distintos de aplicação dos recursos. Entre outubro de 2023 e julho de 2024, cerca de R$ 970 milhões foram direcionados para letras financeiras do Banco Master. Depois, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, outros R$ 2,01 bilhões foram aplicados em fundos estruturados pela instituição.

Segundo a PF, houve mudanças internas no Rioprevidência para permitir os investimentos, incluindo a nomeação de dirigentes alinhados aos interesses do banco. Os investigadores afirmam que não foram apresentadas justificativas técnicas adequadas para os aportes e citam alterações em procedimentos internos, ausência de análises de risco e concentração excessiva dos investimentos.

O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, também é investigado e teve imóveis revistados pela PF. Preso preventivamente, ele é apontado como um dos responsáveis por flexibilizar regras que restringiam aplicações apenas a instituições com classificação máxima de risco. Segundo reportagem de O Globo, Antunes alterou em 2023 normas que impediam investimentos em bancos sem avaliação elevada pelas agências de classificação de risco, o que abriu caminho para os aportes no Master.

A PF ainda investiga aplicações semelhantes feitas por fundos de previdência do Amapá e do Amazonas. A suspeita é que Vorcaro utilizasse relações políticas para facilitar a obtenção de recursos públicos.

Em nota, o Rioprevidência informou que resgatou R$ 1,4 bilhão de um dos fundos administrados pelo Banco Master em dezembro de 2025 e afirmou que avalia medidas para recuperar valores ainda aplicados em outros fundos ligados à instituição.