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Combustíveis

Petrobras deveria elevar gasolina em R$ 1,22 por litro, diz associação

Alta do Brent após ataques no Oriente Médio amplia diferença entre preços internos e mercado internacional
Redação
09/03/2026 | 15:15

Os desdobramentos do conflito no Oriente Médio fizeram o preço do barril de petróleo superar US$ 100 pela primeira vez desde 2022. O movimento ampliou a diferença entre os preços dos combustíveis no Brasil e a cotação internacional e indicaria necessidade de aumento de R$ 1,22 por litro de gasolina nas refinarias da Petrobras, segundo avaliação da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). As informações são do UOL.

De acordo com a associação, o preço do barril do tipo Brent, referência internacional, subiu 49,3% desde o ataque coordenado por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O valor passou de US$ 72,48 para US$ 108,23.

Preços de gasolina sem imposto dia D (4)
Alta do petróleo após ataques no Oriente Médio amplia diferença entre preços dos combustíveis no Brasil e no mercado internacional - Foto: José Aldenir/Agora RN

Segundo a Abicom, a diferença atual indicaria necessidade de reajuste de R$ 1,22 por litro na gasolina, o que representa defasagem de 49%, e de R$ 2,74 no diesel, com defasagem de 85%. Os eventuais reajustes dependem de decisão da Petrobras.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, afirmou que parte do aumento já poderia ter sido repassada. “Não sei o que a Petrobras vai fazer, mas já deveria ter repassado parte dessa parcela, em linha com o que foi anunciado por outras petroleiras do mundo.”

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou na última sexta-feira que a empresa ainda não decidiu sobre aumentos. “Nesse momento, essa questão ainda não está respondida”, disse durante coletiva sobre o desempenho de 2025 da estatal.

Ela acrescentou que o cenário ainda está em avaliação. “Se essa volatilidade for tão grande assim, certamente, ela vai exigir respostas mais rápidas que exigiriam se a alta fosse mais lenta. Mas, neste momento, não temos sequer essa premissa.”

O analista da Genial Investimentos, Vitor Sousa, afirmou que a alta ainda não afeta os estoques nacionais, mas pode levar a ajustes caso a diferença com o mercado internacional se mantenha. “O preço do petróleo a US$ 100 por uma semana não muda nada, mas se isso se prolongar por mais tempo, a questão começa a preocupar. Por enquanto, ninguém está reclamando.”

Segundo dados da Abicom, a paridade da gasolina apresentava estabilidade desde a redução de 5,2% anunciada pela Petrobras em janeiro. Na ocasião, a queda coincidiu com a redução do preço do petróleo no mercado internacional.

O Brent acumulava recuo de quase 20% em 2025 e chegou a ser cotado a US$ 60,85 ao final do ano passado. A diferença entre o preço interno e o internacional havia ficado em cerca de R$ 0,20.

A atual política de reajuste da Petrobras passou a valer em maio de 2023. A mudança deixou de usar a paridade internacional como principal referência para definir os preços da gasolina e do diesel. O modelo anterior havia sido adotado em 2016 e permitia alterações diárias.