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Economia

Pequenos negócios seguram vagas de empregos formais no RN

Micro e pequenas empresas evitam resultado negativo, mas Estado cria apenas 287 empregos em junho e acumula 726 postos no primeiro semestre
Redação
01/08/2026 | 05:09

As micro e pequenas empresas sustentaram a geração de empregos formais no Rio Grande do Norte durante o primeiro semestre de 2026, evitando um resultado negativo em um período marcado pelo recuo das contratações nas médias e grandes companhias. Ainda assim, o Estado criou apenas 287 vagas com carteira assinada em junho, menor saldo para o mês desde 2021 e pior desempenho entre os nove Estados do Nordeste.

Os dados fazem parte do Boletim do Emprego elaborado pelo Sebrae/RN a partir das informações do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). Em junho, as empresas potiguares realizaram 19.584 admissões e 19.297 desligamentos. A diferença positiva representou crescimento mensal de apenas 0,05% no estoque de empregos.

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Mesmo com saldo positivo, resultado foi garantido pelas microempresas - Foto: José Aldenir

A principal sustentação do resultado veio dos pequenos negócios. De acordo com o boletim, micro e pequenas empresas responderam pela maior parcela do saldo positivo acumulado em 2026, enquanto as médias e grandes apresentaram desempenho inferior ou fecharam postos. A presença das pequenas empresas se espalha por comércio, serviços, agropecuária e atividades industriais. São negócios que, individualmente, contratam poucos funcionários, mas formam uma base numerosa de empregadores. Em um período de retração das grandes contratações, esse conjunto teve papel maior na manutenção do saldo estadual.

Para o superintendente do Sebrae/RN, Zeca Melo, a trajetória exige atenção porque a perda de ritmo já dura vários meses. “Os dados mostram que a geração de empregos vem perdendo força desde o fim do ano passado. Mesmo com o início da safra do melão contribuindo para a abertura de vagas na agropecuária, esse movimento não foi suficiente para reverter a desaceleração observada em outros setores da economia”, afirmou.

“O aspecto positivo continua sendo a capacidade das micro e pequenas empresas de sustentar a maior parte dos empregos criados no Estado, evitando um resultado ainda mais desfavorável”, acrescentou Zeca Melo.

Entre os setores, a agropecuária liderou a abertura de vagas em junho, impulsionada pelo início da safra do melão. Dados gerais do Novo Caged apontam a criação de 1.051 empregos no segmento, com expansão mensal de 6,95% no estoque de trabalhadores. O resultado foi suficiente para impedir que o saldo total do Estado ficasse negativo.

A fruticultura irrigada tem forte presença no Oeste potiguar e amplia as contratações durante as etapas de preparação, colheita, seleção, embalagem e transporte. O ciclo do melão beneficia principalmente municípios como Apodi, Baraúna e Mossoró, embora parte das vagas tenha caráter sazonal e possa ser encerrada após o período de maior produção.

Na análise das atividades econômicas feita pelo Sebrae/RN, o cultivo de melão ficou entre os principais responsáveis pelas admissões. Segmentos do comércio e determinadas atividades de serviços também abriram postos. Em contrapartida, construção civil, serviços especializados e teleatendimento concentraram parte dos maiores saldos negativos.

No resultado agregado do Novo Caged, o comércio criou 250 vagas em junho. Os serviços, apesar dos resultados positivos em algumas atividades, terminaram o mês com fechamento líquido de 587 postos. A construção perdeu 425 empregos, e a indústria apresentou estabilidade, com saldo negativo de duas vagas.

A redução de postos na construção influenciou o resultado estadual porque o setor vinha contribuindo para a criação de empregos em períodos anteriores. O custo do crédito, a elevação dos gastos com obras e a menor entrada de novos projetos passaram a limitar as contratações. Além das construtoras, o movimento alcança prestadores especializados ligados às diferentes etapas dos empreendimentos.

Nos serviços, o fechamento de vagas tem peso elevado por causa do tamanho do segmento na economia potiguar. A atividade concentra a maior parcela dos empregos formais e reúne áreas como turismo, hotelaria, alimentação, educação, saúde, tecnologia, transporte, atendimento e serviços administrativos.

O comportamento do Rio Grande do Norte contrasta com o restante do Nordeste. A região criou 34.433 empregos em junho, melhor resultado mensal de 2026. O Estado respondeu por menos de 1% desse total, apesar de possuir aproximadamente 3,4 milhões de habitantes e uma economia apoiada em serviços, comércio, turismo, indústria, energia e produção agropecuária.

A Bahia liderou o Nordeste, com 8.985 postos abertos, seguida por Pernambuco, com 6.162, e Ceará, com 5.291. Maranhão criou 4.948 empregos; Piauí, 3.023; Alagoas, 2.773; Paraíba, 2.365; e Sergipe, 599. O Rio Grande do Norte ficou na última posição, com 287.

Dentro do Rio Grande do Norte, a geração de vagas ficou concentrada em municípios menores. Apodi liderou o Estado em junho, com saldo positivo de 279 empregos, quase o mesmo número registrado em todo o território potiguar. Baraúna ficou na segunda colocação, com 154 postos, seguida por Patu, com 140. São José do Seridó abriu 99 empregos e Riachuelo criou 93. A presença dessas cidades entre os maiores saldos reflete tanto a sazonalidade de atividades agrícolas quanto contratações pontuais capazes de alterar o desempenho mensal de mercados de trabalho com estoques menores.

Em sentido contrário, os três municípios mais populosos do Estado fecharam vagas. Natal perdeu 344 postos, Mossoró eliminou 250 e Parnamirim encerrou 181. Juntas, as três cidades apresentaram saldo negativo de 775 empregos, quase três vezes o número de vagas criadas no conjunto do Rio Grande do Norte. Açu também terminou junho com perda de 48 postos, enquanto Afonso Bezerra fechou 45.