O ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) afirmou nesta sexta-feira 5 que espera que Paulinho Freire (União), atual prefeito da capital potiguar, esteja no seu mesmo grupo político em 2026. Em entrevista à TV Agora RN, Álvaro enfatizou que Paulinho foi eleito prefeito com seu apoio e o do senador Rogério Marinho (PL) – e que, portanto, espera agora reciprocidade.
A fala ocorre no momento em que o União Brasil tem um pré-candidato ao Governo, que é Allyson Bezerra, prefeito de Mossoró. Mas Álvaro acredita que o prefeito de Natal não vai sair de seu grupo. “Paulinho Freire teve o nosso apoio, foi um apoio decisivo. Então, eu incluo Paulinho Freire nesse grupo, porque eu acredito que ele vai caminhar conosco. É uma realidade que eu enxergo, que eu vislumbro e, por isso, faço essa afirmação.”, declarou o ex-prefeito ao programa Central Agora RN.

Álvaro Dias registrou que o grupo político também é formado – além dele, Rogério Marinho e Paulinho – pelo senador Styvenson Valentim (PSDB).
“Eu, Rogério, Styvenson e Paulinho Freire vamos estar juntos nessa próxima eleição. Não haverá dissensão, não haverá divergência, não haverá ruptura nesse grupo. Nós temos um acordo de caminhar juntos e vamos caminhar juntos. Não haverá rompimento”, enfatizou o ex-prefeito.
Durante a entrevista, Álvaro Dias reafirmou que é pré-candidato ao Governo do Estado, mas reconheceu que o grupo político que integra definirá conjuntamente as posições para a disputa. Ele admitiu que poderá compor uma chapa como candidato ao Senado, caso o grupo considere melhor lançar Rogério Marinho ao Executivo: “Se for, não haverá problema. Nós poderemos rever a nossa posição, a nossa postura e assumir outra postulação como uma possível pré-candidatura ao Senado”.
Da mesma forma, embora diga estar “muito bem no Republicanos”, ele não descarta mudar de legenda: “Se houver necessidade, e se for um desejo de todos os que compõem esse grupo, nós podemos analisar”.
Segundo ele, apesar disso, eventuais decisões só serão tomadas “no final de fevereiro ou começo de março”, quando os partidos discutirão qual configuração maximiza as chances do bloco oposicionista.
Questionado sobre a possibilidade de o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), integrar o mesmo grupo político, Álvaro disse que vê espaço para diálogo: “Eu acredito que há possibilidade de ele vir a fazer parte desse grande grupo de oposição”.
Para isso, porém, “todo mundo tem de estar desarmado” e disposto a priorizar decisões coletivas.
“Não temos dificuldade nenhuma de dialogar com o prefeito de Mossoró. É uma figura preponderante, de peso dentro do contexto político do nosso Estado. Está fazendo uma boa gestão na cidade de Mossoró. Não temos nada contra que ele venha a integrar, principalmente se ele está assumindo uma postura de oposição ao governo de Fátima Bezerra”, enfatizou o ex-prefeito de Natal.
“Não acredito em terceira via”
Durante a entrevista, Álvaro Dias foi questionado sobre a possibilidade de a oposição chegar a 2026 dividida em dois palanques: um formado por ele, Rogério Marinho, Paulinho Freire e Styvenson Valentim e outro liderado eventualmente por Allyson Bezerra. Em referência do prefeito de Mossoró, Álvaro afirmou de forma categórica que não acredita na viabilidade de uma terceira via no Rio Grande do Norte.
Segundo Álvaro, uma candidatura isolada, fora dos dois principais blocos políticos, tende a fracassar. Ele citou sua análise da eleição municipal anterior, quando previu que Carlos Eduardo Alves (PSD) ficaria fora do segundo turno apesar de aparecer com alta intenção de voto no início da disputa. “Eu não acredito em terceira via”, afirmou. “Eu anunciei isso durante a campanha municipal. Quando os dois grandes grupos se acomodassem, iria haver um grande direcionamento de votos para um grupo e para o outro. E quem ficasse no meio não iria ter o resultado esperado”.
Álvaro afirmou que essa lógica se repetiria em 2026, independentemente de quem tentasse se colocar como alternativa aos dois polos dominantes. Para ele, qualquer candidatura desenhada fora desse eixo “não terá sucesso”. O ex-prefeito reforçou que, se o prefeito mossoroense insistir em disputar sozinho, enfrentará obstáculos semelhantes aos que, segundo ele, já se mostraram em outros pleitos.
Críticas ao governo Fátima: “Um dos piores da história”
Um dos momentos mais contundentes da entrevista foi quando Álvaro analisou o cenário fiscal do Estado. Ele disse que, para a partir de 2027, será necessário um choque de gestão:
“Medidas haverão de ser tomadas porque precisa haver uma reformulação profunda. A permanecer tudo como está, vai permanecer um governo fracassado, como é o atual”.
Ele afirmou ainda: “O governo da professora Fátima Bezerra (PT) é um dos piores governos na história do Rio Grande Norte”.
Segundo ele, embora ainda não possa detalhar as medidas necessárias por falta de acesso aos números internos da administração estadual, é certo que “gastos precisarão ser diminuídos, contidos”.
Para Álvaro, a eleição de 2026 será guiada pela avaliação que o eleitor faz da gestão estadual: “Sempre é assim: é um julgamento que a população faz de quem está administrando o Estado”.
Ele também avaliou que a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não deve influenciar negativamente o desempenho da direita no RN.
Defesa do legado na gestão municipal e respostas a Allyson Bezerra
Álvaro reagiu às críticas do prefeito de Mossoró sobre supostos problemas financeiros herdados por Paulinho Freire: “A dívida do município de Natal não fui eu que criei. A prefeitura sempre teve dívidas, são dívidas históricas”.
Sobre a acusação de que teria deixado obras inacabadas, ele rebateu listando múltiplas entregas: “Ele deve ter visto a Praça Cívica, a Praça das Flores, a Praça Gentil Ferreira, o Parque Ecológico de Capim Macio, a Praça de Candelária, a Avenida Felizardo Moura, a Floriano Peixoto, a Mipibu, a Hermes da Fonseca…”.
O ex-prefeito também defendeu a entrega da primeira etapa do Hospital Municipal: “A infraestrutura física do Hospital Municipal está pronta. É o maior investimento em saúde pública da história do Rio Grande do Norte”.
Ele explicou que o prédio, que foi parcialmente inaugurado em 30 de dezembro de 2024, mas ainda não realizou atendimentos, está “praticamente apto para começar a funcionar”, faltando apenas ajustes complementares.