Passado o Carnaval, o próximo grande evento no país é a eleição nos municípios. E uma luz de alerta já deveria estar piscando para alguns pré-candidatos que desejam vencer a disputa à Prefeitura do Natal. Os feixes da composição deveriam estar dançando sob o ritmo estridente para sinalizar que a etapa de circular em bolhas acabou. A deputada federal Natalia Bonavides (PT) e o ex-prefeito da capital potiguar, Carlos Eduardo Alves (PSD) são um bom exemplo de quem precisa planejar e agir com atenção.
A análise é simples. O ex-prefeito Carlos Eduardo Alves tem a vantagem de ser o líder das pesquisas, distante dos demais e um histórico de gestor relativamente bem avaliado. Contudo, sem a chegada de novos apoios, a candidatura pode estar fadada a um teto baixo, visto que o voto que teve do PT e outros partidos de esquerda em eleições passadas não deve pingar nas urnas, ao menos em um primeiro turno.

Situação parecida é a da ascendente Natalia Bonavides. Com um voto cristalizado e a possível presença do presidente Lula em seu palanque, é unanimidade no partido, tem PV e PC do B do seu lado e vislumbra a chegada do PDT e MDB. Partidos com história, mas densidade eleitoral em construção em Natal. Pragmaticamente, a aversão a compor com alguns personagens da política local pode deixar o segundo turno distante. Tão ruim quanto, caso avance, é ter que assistir às forças políticas adversárias se alinharem e deixá-la num palanque pequeno.
O deputado federal Paulinho Freire (União Brasil) assegurou um grupo de partidos de direita e extrema direita, como PSDB, PP, Podemos e uma parte do PL. Este último, em conflito interno. Os federais Girão e Gonçalves mantiveram suas pré-candidaturas por desejarem o “bolsonarismo-raiz”. Ainda assim, o tempo de TV, capilaridade na capital, parte do voto ideológico, apoio político de senadores e uma base de vereadores em Natal.
O vácuo político criado por sua própria indefinição, curiosamente, pode oferecer ao prefeito Álvaro Dias uma segunda chance de influenciar na disputa. Se insistir na candidatura de Joana Guerra ou Rafael Mota, o risco de sair derrotado enquanto liderança política em Natal é grande. Caso decida por caminhar junto a qualquer um dos candidatos com maior potencial de vitória – há quem diga que o acerto com Paulinho está encaminhado –, pode se tornar o fiel da balança na disputa pela cadeira no Palácio Felipe Camarão.
O fato é que aquele pré-candidato que olhar apenas para os próprios pés, fechar-se em dogmas, bolhas ou rancores e não entender a necessidade de dialogar, ainda assim, vai ter que compor, mas um grupo indesejado: o daqueles que ficaram apenas no sonho de ter um diploma de eleito (a) para chamar de seu em 2024.