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Coluna
O centenário de Aluizio Alves encontrou a Guerra Fria
Confira a coluna de Alex Viana desta terça-feira 10
Alex Viana
10/08/2021 | 08:47

Se estivesse vivo, Aluizio Alves estaria fazendo 100 anos nesta quarta-feira 11. Entre outros pequenos eventos que certamente marcarão a data, uma missa em ação de graças pela memória do ex-governador do Rio Grande do Norte acontece em Angicos, onde o político nasceu em 1921.

Em abril último, criminosos deram uma trágica oferta à data ao invadirem o prédio onde funciona o Memorial que leva seu nome e, além de depredar o espaço, localizado no bairro da Candelária, levar peças do acervo pessoal de Aluizio, como uma máquina de escrever e algumas medalhas, além de outros objetos sem a menor importância, como fios de energia, cabos de internet e aparelhos de ar condicionado.

Mas como história é história, uma das lembranças mais significativas do centenário de Aluizio Alves foi parar nas páginas do The Intercept Brasil, o mesmo veículo que denunciou as entranhas da operação Lava Jato em forma de interceptações telemáticas obtidas por hackers e passadas integralmente para o site.

No caso de Aluizio, porém, a lembrança de seu centenário partiu de informações enriquecedoras muito bem compiladas e redigidas pelo jornalista potiguar Paulo Nascimento, com passagem pelos principais veículos do estado.

O texto, entre outras coisas, mostra o tamanho da personalidade de Aluizio Alves, chefe de um clã que se manteve no poder durante décadas, mas principalmente exibe o político como um protagonista de acontecimentos importantes que carrearam para o Rio Grande o apoio do governo norte-americano em plena Guerra Fria.

A reportagem, repleta de informação, mostra que o apoio dos americanos a Aluizio ajudou a construir o futuro político do estado e de seu principal clã a partir dali, os Alves. E dá a quantia dessa ajuda contínua em cruzeiros entre de 1962 e janeiro de 1966.

A soma foi capturada pelo jornalista de um documento enviado pela diplomacia americana à ditadura brasileira em novembro de 1969: nada menos do que 3,46 bilhões de cruzeiros em 30 repasses. Dinheiro de fundo perdido entregue como doação direta e que deixou para trás o orçamento total do ano anterior do estado que foi de 2,5 bilhões de cruzeiros em valores de 1963.

“Eu corrigi a soma pela inflação, usando uma ferramenta disponível no site do Banco Central. Em valores atuais, a bolada doada pelos EUA equivale a R$ 179,1 milhões”, diz o autor da matéria.
Os recursos, que se materializaram em poder político, foi para obras como a construção de uma estrada de 51 quilômetros entre São José de Mipibu e a fronteira com a Paraíba que, sozinha, consumiu 1 milhão de dólares.

Irrigou também, segundo apurou o jornalista, um programa assistencialista dos EUA chamado Food for Peace, ou Comida pela Paz, que “fez jorrar doações estimadas em 950 mil dólares entre 1963 e 1965 nos cofres do governo Alves”.

Diz o autor que “boa parte da montanha de dólares que inundou o Rio Grande do Norte tem uma mesma origem: o programa Aliança para o Progresso. Ele foi moldado pelo governo Kennedy como instrumento de apoio ao desenvolvimento e combate à influência comunista na América Latina. No Brasil, não demorou a virar ferramenta política”.

O texto é extenso, muito bem escrito e valer ler.

Derrota anunciada
Diante da sinalização de que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso deve ser rejeitada pelo plenário da Câmara dos Deputados, representantes dos Três Poderes articulam uma saída para “esfriar” o clima de atrito institucional que reina entre o presidente Jair Bolsonaro e ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral.

Saída
O presidente da Câmara, Arthur Lira afirmou nesta segunda-feira, 9, que vai trabalhar “para que nesse tema não haja vencidos e vencedores, porque é preciso pacificar o País”.
Como ele vai operar esse milagre: propondo que se pense numa saída alternativa à absurda proposta do presidente. Qual seria não se sabe.

Bolsa eleição
A nova Bolsa Família – batizado de Auxílio Brasil pelo governo Jair Bolsonaro – foi inspirado completamente no auxilio criado por Lula, que pegou todos os auxílios dos tempos de Fernando Henrique para criar o seu. A fórmula, porém, continua: benefício básico para primeira infância, composição familiar e superação da extrema pobreza, mais seis auxílios acessórios, que podem se somar ao benefício básico. Falta saber o valor.

Importância
Embora tenha um valor crucial para a reeleição do presidente Jair Bolsonaro em 2022, o Auxilio Brasil ganhou relevância com o tempo e as desigualdades brasileiras. A ponto de ser um importante colchão de proteção para os mais pobres, que voltaram a passar fome no Brasil.

Olha outra bomba
Com o presidente querendo por tropas na rua – ou pelo menos ameaçando -, ministros do Tribunal Superior Eleitoral encaminharam ao Supremo Tribunal Federal uma notícia-crime para investigar o presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) por suspeita de vazamento de dados sigilosos contidos no inquérito da Polícia Federal que apura um ataque hacker sofridos pela corte em 2018.

Bode expiatório
Adepto do simplismo em sua plenitude, Bolsonaro parece decidido a culpar o ministro Luis Roberto Barroso pela derrota quase certa da PEC do voto impresso. É o tal bode expiatório.

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