Após dias de chuvas intensas, a Secretaria Municipal de Infraestrutura de Natal registrou redução no número de pontos críticos de alagamento em comparação com o mesmo período de janeiro do ano passado. Segundo a secretária de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, o número de pontos intransitáveis saiu de oito para apenas um.
“Sempre que chove, a gente sabe que é um grande transtorno na cidade, mas eu estou falando bastante e repetindo que é perceptível os resultados positivos do trabalho que a gente vem fazendo”, pontuou ela, em entrevista à rádio 91,1 FM (CBN), nesta quarta-feira 21.

Segundo ela, o resultado é consequência de “um trabalho preventivo de manutenção e desobstrução”. “Tivemos muito menos problemas do que a mesma chuva que nós tivemos em janeiro de 2025. Então, o impacto, a gente faz esse comparativo com dados”, disse.
De acordo com Shirley Cavalcanti, a cidade possuía cerca de oito pontos de alagamento recorrentes e, neste episódio de chuva, foi registrado apenas um, “que foi da Solange Nunes, em Cidade Nova”. Ela explicou que o local, que foi o único ponto considerado intransitável nesta terça-feira 20, “demora a secar porque ele não tem uma solução de escoamento”. Em outros pontos, conforme a secretária, a água acumulou por até “uma hora e depois escoou”.
A secretária citou obras recentes como exemplos. “A gente vê a Avenida 4, na frente do Mercado da Presidente Sarmento. Era um ponto que ficava alagado no Alecrim”, afirmou, acrescentando que a obra foi concluída e entregue em dezembro. Os serviços incluíram a implantação de uma nova rede de drenagem, com escavações e instalação de tubulações, além da recuperação completa da pavimentação da via, historicamente comprometida pelas enxurradas.
Outro caso mencionado foi o cruzamento da Hermes da Fonseca com a Ângelo Varela, onde, segundo ela, houve um trabalho de desobstrução.
Shirley Cavalcanti ressaltou que as ações começaram em janeiro passado. “Claro que em um ano não se resolve tudo em uma cidade. São muitos problemas”, disse. “Mas 2026 está aí e a gente vai trabalhar bastante e espero que em 2027, nessas entrevistas de janeiro, a gente já possa dar um panorama bem melhor”.
Lagoa de captação do Jardim Primavera foi a única a transbordar
Atualmente, Natal conta com 82 lagoas de captação, que desempenham papel fundamental no sistema de drenagem urbana. Durante as chuvas desta terça 20, apenas a lagoa de captação do Jardim Primavera, no bairro Nossa Senhora da Apresentação, Zona Norte, atingiu nível de extravasamento.
Segundo a Prefeitura, a ocorrência está relacionada à obstrução da tubulação da Rua José Luís da Silva, área que passa por uma obra complexa após danos na rede de drenagem que fica a cerca de nove metros de profundidade. A intervenção iniciada com recursos próprios do município é considerada essencial para toda a região e tem previsão de conclusão em até quatro meses.
João Medeiros Filho, a Estrada da Redinha
Durante a entrevista, a secretária também comentou a situação da Avenida João Medeiros Filho, mais conhecida como Estrada da Redinha, que também registra pontos de alagamentos e buracos quando chove. “A gente recebe a reclamação da população achando que a gestão é da prefeitura e a gente não consegue agir nela porque é da gestão do DER [Departamento de Estradas de Rodagem] e do Governo do Estado”, frisou.
Segundo ela, a manutenção do pavimento e da drenagem da via é estadual. A prefeitura, conforme explicou, tem um projeto avaliado em quase R$ 90 milhões para pavimentar e drenar bairros do entorno, o que deve reduzir o volume de areia que chega à avenida, mas depende de integração com o Estado.
Shirley Cavalcanti informou ainda que a prefeitura tentou municipalizar vias como a Av. João Medeiros Filho, Roberto Freire e a Via Costeira, mas o pedido “não foi aceito”.
Túnel de macrodrenagem da Jerônimo Câmara
A construção do túnel de macrodrenagem da Avenida Jerônimo Câmara, uma das principais obras de infraestrutura prometidas para a Copa do Mundo de 2014 em Natal, segue sem conclusão após mais de dez anos do início.
Com aproximadamente 5 quilômetros de extensão, a obra já custou mais de R$ 140 milhões em recursos públicos. A promessa inicial era de resolver os problemas de drenagem das zonas Sul e Oeste da capital potiguar, eliminando mais de 30 pontos de alagamento.
O projeto enfrentou diversos entraves ao longo da última década, como questões de engenharia, problemas com as empresas contratadas e ajustes orçamentários. Uma readequação foi necessária no projeto.
Em relação à obra, Shirley Cavalcanti informou que a etapa 1 tem previsão de conclusão para o fim de fevereiro. “Ela vai dar funcionalidade no sistema de drenagem da Lagoa de São Conrado”, explicou. A etapa 2, segundo ela, foi contemplada no PAC e aguarda trâmites com a Caixa Econômica Federal. Quanto ao asfalto da via, afirmou que a prefeitura já iniciou o processo para licitação.