A vereadora Brisa Bracchi (PT) afirmou nesta sexta-feira 10 que seu mandato “não abaixa a cabeça para machista” ao comentar a abertura do inquérito da Polícia Federal que apura suposto crime de violência política de gênero atribuído ao vereador Matheus Faustino. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira 10, a parlamentar disse que a investigação representa um avanço após meses de espera pela análise da denúncia encaminhada ao Ministério Público Eleitoral (MPE).
Segundo Brisa, o mandato levou tempo para compreender que os episódios enfrentados configurariam violência política de gênero e também teve receio de formalizar a denúncia. “Depois de dias tão difíceis, de meses tão difíceis de percepção, de entender que era uma violência, que era uma violência política de gênero, que não era normal o que a gente passava todos os dias no mandato. Teve coragem de fazer a denúncia, porque durante muito tempo a gente teve medo de denunciar e de não dar em nada”, afirmou.

A vereadora disse que a instauração do inquérito trouxe a sensação de que a denúncia foi acolhida pelos órgãos responsáveis e afirmou que o caso passa agora a ser apurado pela Polícia Federal. “Agora ele não vai ter que dar explicação para mim, nem para os vereadores lá da Câmara. Agora ele vai ter que dar explicação para a Polícia Federal, porque ele alimenta e organiza uma rede de ódio que persegue o nosso mandato, que persegue a minha vida.”
Na publicação, a parlamentar disse que a investigação também representa um passo no enfrentamento da violência política contra mulheres. “A gente está aqui para dar a nossa vida para lutar contra a violência, contra a violência física que as mulheres sofrem, contra a violência psicológica que as mulheres sofrem, mas contra a violência política também que a gente sofre quando está no parlamento.”
Ao final da manifestação, Brisa agradeceu às pessoas que a apoiaram durante o andamento da denúncia. “Eu queria agradecer a todo mundo que me deu forças para que eu pudesse chegar até aqui, que prestou solidariedade nos momentos mais difíceis, que me deu coragem para denunciar, em especial à minha amiga e companheira Isolda, que esteve comigo esse tempo inteiro. (…) Que a Justiça prevaleça e seja feita. Desculpem a emoção, mas hoje não é um dia qualquer”, concluiu.
Contexto do caso
A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar a suposta prática de violência política de gênero atribuída ao vereador Matheus Faustino contra a vereadora Brisa Bracchi. A abertura da investigação foi comunicada ao mandato da parlamentar pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) na quinta-feira 9. No ofício, a Promotoria Eleitoral da 2ª Zona Eleitoral de Natal informou que a notícia de fato foi encaminhada à Polícia Federal, resultando na instauração do Inquérito Policial nº 2026.0068323 (DELINST/DRPJ/SR/PF/RN).
A investigação teve origem em uma notícia de fato apresentada em fevereiro deste ano. O documento reúne episódios que, segundo o denunciante, configurariam violência política de gênero. Entre eles, a publicação de mais de 50 vídeos nas redes sociais do vereador com ataques direcionados à parlamentar, incluindo o uso de sua imagem em conteúdos editados com inteligência artificial. O relato também sustenta que as publicações apresentavam padrão de repetição e personalização, com potencial para causar dano à reputação e incentivar hostilidade pública.
O Código Eleitoral define como violência política de gênero a conduta de assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidata ou detentora de mandato eletivo, utilizando menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à cor, raça ou etnia, com o objetivo de impedir ou dificultar a campanha eleitoral ou o exercício do mandato. A pena prevista é de um ano e quatro meses de reclusão, além de multa.