As mulheres compõem um dos grupos decisivos para explicar a vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial no Rio Grande do Norte e, ao mesmo tempo, ajudam a sustentar a liderança de Allyson Bezerra (União) na disputa pelo Governo do Estado. É o que mostram os dados da pesquisa Exatus, registrada sob o número RN-08384/2026. O levantamento foi realizado entre os dias 14 e 17 de abril de 2026, com 1.518 entrevistas, margem de erro de 2,51 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Na média da pesquisa estimulada para Presidência, Lula lidera no Estado com 46,51% das intenções de voto, contra 33,33% de Flávio Bolsonaro (PL). Mas o recorte por sexo revela uma diferença importante: entre as mulheres, Lula chega a 47,5%, enquanto Flávio Bolsonaro marca 29,9%. A vantagem do petista nesse segmento é de 17,6 pontos percentuais. Vale ressaltar que as mulheres são maioria no eleitorado e representam 52,83% da amostra pesquisada.

Para o estatístico da Exatus, Ythalo Hugo, esse é um dos recortes mais importantes da pesquisa. “Quando olhamos apenas o resultado geral, já existe uma vantagem clara de Lula no Rio Grande do Norte. Mas, quando abrimos por sexo, percebemos que o eleitorado feminino é decisivo para ampliar essa diferença. Entre as mulheres, a distância entre Lula e Flávio Bolsonaro é mais que o dobro da observada entre os homens”, analisa.
Entre os homens, Lula também aparece à frente, mas com distância menor. O presidente tem 45,5%, contra 37,2% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 8,3 pontos. Ou seja, a vantagem de Lula entre as mulheres é mais que o dobro da registrada no eleitorado masculino.
“O dado mostra que a vantagem de Lula não é homogênea. Ela existe nos dois grupos, mas é claramente mais intensa entre as mulheres. Isso significa que o voto feminino ajuda a estruturar a liderança presidencial no Estado”, afirma Ythalo Hugo.
O dado ajuda a explicar a liderança geral de Lula no RN. A pesquisa mostra que o voto feminino não apenas favorece o presidente, mas amplia sua dianteira sobre o principal adversário. Além disso, entre as mulheres, o percentual de eleitoras que dizem votar em “nenhum” também é maior: 16%, contra 9,7% entre os homens.
Segundo o estatístico, esse percentual de “nenhum” entre as mulheres também deve ser observado com atenção. “Existe uma parcela feminina mais resistente às opções colocadas na disputa presidencial. Ainda assim, mesmo com esse índice mais alto de voto em nenhum candidato, Lula mantém uma vantagem expressiva no segmento. Isso reforça a força dele entre as eleitoras potiguares”, explica.
A diferença entre homens e mulheres também aparece na rejeição presidencial. Entre as mulheres, Flávio Bolsonaro é o mais rejeitado, com 41,1%. Lula tem 32,6% de rejeição nesse grupo. Já entre os homens, o cenário se inverte: Lula aparece com 39,5% de rejeição, ligeiramente acima de Flávio Bolsonaro, que tem 38,2%.
Esse cruzamento reforça uma leitura política relevante: o eleitorado feminino é hoje mais favorável a Lula e mais resistente a Flávio Bolsonaro. No eleitorado masculino, a disputa é mais apertada e a rejeição aos dois principais nomes aparece praticamente equilibrada.
“Esse talvez seja o dado mais revelador do recorte por sexo. Entre as mulheres, Flávio Bolsonaro enfrenta uma rejeição maior e uma intenção de voto menor. Entre os homens, a disputa fica mais competitiva e a rejeição se aproxima. Portanto, o eleitorado feminino não só vota mais em Lula, como também impõe uma barreira maior ao crescimento de Flávio Bolsonaro”, avalia Ythalo Hugo.
No resultado geral, Flávio Bolsonaro tem a maior rejeição da pesquisa presidencial, com 39,71%, seguido por Lula, com 35,85%.
Allyson mantém desempenho equilibrado entre mulheres e homens
Se na disputa presidencial o voto feminino amplia a vantagem de Lula, na corrida pelo Governo do Estado o dado mais importante é a estabilidade de Allyson Bezerra nos dois públicos.
Na média do cenário estimulado para governador, Allyson lidera com 37,29%, seguido por Álvaro Dias (PL), com 24,91%, e Cadu Xavier (PT), com 10,74%.
Quando o resultado é dividido por sexo, Allyson praticamente repete o mesmo desempenho: tem 37,1% entre as mulheres e 37,5% entre os homens. A diferença é mínima, de apenas 0,4 ponto percentual.
Esse equilíbrio é um dos principais ativos eleitorais do ex-prefeito de Mossoró. Enquanto outros nomes variam mais conforme o perfil do eleitorado, Allyson aparece sustentado tanto pelo voto feminino quanto pelo masculino.
Para Ythalo Hugo, esse comportamento diferencia Allyson dos demais nomes testados. “Allyson apresenta uma regularidade muito forte entre homens e mulheres. Essa estabilidade é politicamente importante porque indica uma candidatura menos dependente de um único segmento. Ele não lidera porque vai muito bem apenas entre homens ou apenas entre mulheres. Ele lidera porque mantém desempenho parecido nos dois públicos”, observa.
O principal adversário de Allyson no levantamento, Álvaro Dias, tem desempenho mais forte entre os homens. Ele marca 28,5% no eleitorado masculino e 21,7% no feminino. A diferença é de 6,8 pontos percentuais.
Cadu Xavier, por outro lado, aparece praticamente empatado entre os dois grupos: 10,8% entre mulheres e 10,7% entre homens.
Outro dado relevante é a maior indefinição feminina na disputa estadual. Entre as mulheres, 17,8% dizem votar em nenhum candidato e 10,5% não sabem em quem votar. Entre os homens, os índices são menores: 12,7% votariam em nenhum e 7,3% não sabem.
Isso indica que, embora Allyson esteja bem posicionado entre as mulheres, ainda há um espaço expressivo de disputa nesse segmento, especialmente entre eleitoras que não escolheram candidato ou rejeitam as opções apresentadas.
“O voto feminino para o Governo tem dois sinais ao mesmo tempo. De um lado, Allyson lidera e mantém desempenho estável. De outro, as mulheres têm mais respostas de nenhum e não sabe. Isso significa que há uma liderança consolidada no momento, mas também existe um contingente feminino ainda disponível para ser disputado ao longo da campanha”, diz o estatístico da Exatus.
Baixa rejeição fortalece Allyson
Além da liderança na intenção de voto, Allyson também tem a menor rejeição entre os principais nomes para o Governo. No geral, apenas 7,62% dos eleitores dizem que jamais votariam nele. Cadu Xavier lidera a rejeição, com 23,37%, seguido por Álvaro Dias, com 16,93%.
No recorte por sexo, a rejeição a Allyson é praticamente igual entre mulheres e homens: 7,5% no eleitorado feminino e 7,7% no masculino.
Mais uma vez, o dado mostra estabilidade. Allyson não apenas lidera entre os dois públicos, como também mantém baixa resistência entre eles. Esse conjunto — intenção de voto alta e rejeição baixa — ajuda a explicar por que ele aparece como o candidato mais competitivo no cenário estadual.
“Em pesquisa eleitoral, não basta olhar apenas quem está na frente. É preciso observar também o tamanho da rejeição. Allyson combina liderança com baixa resistência. Isso dá a ele uma posição confortável no cenário atual, porque significa que há menos barreiras para dialogar com diferentes grupos do eleitorado”, explica Ythalo Hugo.
Segundo ele, a baixa rejeição nos dois sexos é um sinal de transversalidade. “Quando um candidato tem rejeição baixa entre homens e mulheres, ele tem mais margem para crescer. No caso de Allyson, a rejeição é praticamente igual nos dois grupos e permanece em patamar baixo. Esse é um ativo eleitoral importante”, acrescenta.