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Investigação

Ministros do STF são citados em anotações de grupo investigado por planejar assassinatos

PF apura se Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin foram monitorados por organização que cobrava até R$ 250 mil para matar autoridades; cinco pessoas foram presas
Redação
28/05/2025 | 18:02

Os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram citados em anotações encontradas pela Polícia Federal (PF) durante a operação que investiga um grupo suspeito de cobrar até R$ 250 mil para monitorar e matar autoridades. A investigação apura se houve monitoramento dos magistrados.

Fontes ligadas ao caso informaram que a tabela de preços elaborada pela organização estabelecia valores de R$ 150 mil para senadores e R$ 100 mil para deputados.

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Grupo investigado pela PF é acusado de planejar assassinatos, vender sentenças judiciais e lavar dinheiro por meio de rede empresarial

Cinco integrantes do grupo foram presos durante a operação, que cumpriu mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais. A ação foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin.

Os presos são:

  • Aníbal Manoel Laurindo, fazendeiro apontado como mandante do assassinato do advogado Roberto Zampieri. Já havia sido preso em 2024 e estava em liberdade com tornozeleira eletrônica.
  • Gilberto Louzada da Silva, considerado próximo a Aníbal, se apresenta como “consultor de segurança patrimonial” e “instrutor de tiro”. Declara ter sido sargento de infantaria do Exército entre 1985 e 1992.
  • Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, coronel da reserva do Exército desde 2002. Está preso desde janeiro de 2024 pelo assassinato de Zampieri e foi alvo de novo mandado de prisão.
  • Antônio Gomes da Silva, réu acusado de participação na execução de Zampieri. Está preso desde janeiro de 2024 e também foi alvo de novo mandado.
  • Hedilerson Fialho Martins, apontado como intermediador entre mandantes e executores. Preso desde 2024, também foi alvo de novo mandado de prisão.

A defesa do coronel Etevaldo Caçadini afirmou que “não foi encontrado qualquer elemento ilícito relacionado aos acusados nas buscas realizadas na capital mineira”. Os advogados disseram ainda confiar nas instituições e mantêm “a convicção na inocência” do militar.

As ações fazem parte de um inquérito sob sigilo que também investiga a venda de sentenças judiciais envolvendo servidores do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT).

O grupo, composto por civis e militares da ativa e da reserva, se identificava como “Comando C4”, sigla para Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos.

A organização é ligada à execução do advogado Roberto Zampieri, morto em 2023 em Cuiabá (MT). Ele era apontado como intermediador na venda de decisões judiciais.

A PF apura ainda o envolvimento do grupo com lavagem de dinheiro por meio de uma rede empresarial e financeira, alimentada por supostas propinas pagas para a compra de sentenças no STJ.

Entre os investigados estão advogados, lobistas, empresários, assessores parlamentares, chefes de gabinete e magistrados. Os crimes investigados incluem organização criminosa, corrupção, exploração de prestígio e violação de sigilo funcional.

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