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Definição

Ministros descartam apoio a Carlos Eduardo ao Governo do Estado

Fábio Faria deve apoiar Haroldo Azevedo; Rogério Marinho sonha com candidatura de Ezequiel Ferreira
Redação
01/02/2022 | 08:16

“Quem cala consente”. Este ditado popular se enquadra bem nos últimos movimentos políticos do estado do Rio Grande do Norte. Ventilou-se que o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT) havia sido preterido pelos ministros Fábio Faria (Comunicações) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), fato este que tornou-se realidade. A conjuntura atual aponta que Fábio Faria (que vai trocar o PSD pelo PP) deve apoiar um dos mais importantes empresários do Rio Grande do Norte, Haroldo Azevedo (sem partido) para disputar o governo do Estado. O ministro das Comunicação não confirmou, mas também não desmentiu esta hipótese, preferindo ficar inerte e não responder às questões postas pelo AGORA RN, através de sua assessoria.

Haroldo Azevedo afirmou, recentemente, à editora de política do AGORA RN, Alessandra Bernardo, que pode concorrer ao governo do Estado em 2022. Em entrevista exclusiva, ele falou sobre seus planos para as eleições majoritárias, suas visitas aos municípios potiguares e as conversas com as lideranças dos partidos, e vem trocando informações sobre o cenário político atual. Empresário das áreas da construção civil e radiodifusão, Haroldo Azevedo, que foi suplente do senador Geraldo Melo e secretário de Turismo durante a gestão Wilma de Faria, revelou que percorreu mais de 25 mil km, conversando com as pessoas, vendo o que realmente elas querem e precisam. Haroldo concorreria ao governo pelo PP, futuro partido de Fábio Faria.

Ministros descartam apoio a Carlos Eduardo ao GoveRio Grande do Norteo do Estado - Agora RN
Demora em se decidir por qual cargo iria concorrer custou a perda de apoios políticos importantes no Estado. Foto: José Aldenir/Agora RN

O empresário seria uma via certa para o ministro Fábio Faria, visto que seu colega de ministério – Rogério Marinho (PL) já costura a candidatura do tucano Ezequiel Ferreira, presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, ao governo do Estado. Esta hipótese teria o aval do prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB). Também seria uma forma de apagar arestas passadas entre eles (Ezequiel e Álvaro), quando durante as Prévias do PSDB, Ezequiel – presidente estadual do tucanato e defensor da pré-candidatura do governador de São Paulo João Doria à presidência da República, e Álvaro – presidente municipal da legenda e defensor da pré-candidatura do governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite -, trocaram farpas cada um emitindo notas valorizando seus apoios aos seus respectivos candidatos. Sobre estes movimentos políticos, a assessoria do ministro Rogério Marinho respondeu ao AGORA RN: “Nada a declarar”.

Considerando as hipóteses postas acima, as chapas opositoras à reeleição da governadora Fátima Bezerra (PT) seriam: Haroldo Azevedo – concorrendo ao governo pelo PP, tendo Fábio Faria candidato ao Senado Federal; e Ezequiel Ferreira – concorrendo ao governo pelo PSDB, tendo Rogério Marinho candidato ao Senado. A questão na segunda hipótese seria fazer Ezequiel romper com Fátima, além de ajustar seus candidatos à presidência da República.

Fátima Bezerra e Walter Alves devem subir juntos em palanque

A definição para formação da chapa majoritária da governadora e, naturalmente, pré-candidata à reeleição, Fátima Bezerra (PT), deve passar pela conciliação de interesses dentro da base de apoio com o MDB e PDT. É notório que as conversas estão acontecendo. No PT, as negociações partidárias estão a cargo do chefe da Casa Civil, Raimundo Alves, que entende que a chapa majoritária não se discute sem envolver todos os componentes do projeto. Do lado do MDB, o comandante da legenda no Estado, deputado federal Walter Alves, já sinalizou que não há arestas para projetos futuros com o PT. Há indícios de que a composição governadora Fátima Bezerra – concorrendo à reeleição, Walter Alves seu companheiro de chapa como vice, e Jean Paul Prates – concorrendo à reeleição ao Senado Federal tem o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas uma vez, o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, está descartado deste cenário. O próprio senador Jean Paul Prates foi enfático ao comentar o assunto para o programa Foco na Política, da FM Salinas, no município de Grossos. “O problema de Carlos Eduardo flerta com os dois lados, vai lá ameaça que vem pra cá. Todas as pesquisas o cara se coloca em todas as posições. E, além disso, tem este histórico recente dele, dando declarações muitas incisivas contra Lula e Fátima. Eu me lembro de uma em que ele diz que: ‘Fátima não é capaz de administrar uma birosca’. Se você entrar numa chapa com Lula – presidente, e Fátima governadora, como é que você não vai declarar antes que Fátima é uma boa gestora. Carlos Eduardo precisa dizer: ‘olha, eu me enganei, Fátima não só sabe administrar bem um boteco, como sabe administrar o Estado, e administra muito bem’. Eu quero ouvir isto de Carlos Eduardo. Antes de ser escolhido, não é depois”, disparou Jean.

E acrescentou: “Eu quero ouvir dele (Carlos Eduardo) que Lula não é ladrão, que Lula é um grande líder nacional e internacional, e que vai conduzir o país a se recuperar do desastre que é administração Bolsonaro, governo esse que ele (Carlos Eduardo) apoiou, e pediu voto nos segundo turno. Eu quero ouvir isto de Carlos Eduardo, porque senão seria muito incoerente estar numa chapa com estas pessoas (Lula e Fátima). Você tem que agir com honestidade. Olhe na cara das pessoas, no fundo do olho com honestidade e traga a verdade”.

Cenários estão sendo montados, possibilidades são postas e nada é descartado. Se existem diálogos entre as siglas partidárias, mesmo que as lideranças não assumam diretamente, existem já possíveis promessas de composições pré-estabelecidas. E uma delas inclui a governadora Fátima Bezerra concorrendo à reeleição, tendo na sua vaga de vice, o deputado federal Walter Alves (MDB), e completando a chapa majoritária o atual senador Jean Paul Prates (PT) concorrendo à reeleição.

Outro aspecto que deve-se levar em consideração é que mesmo que se consolide a federação entre PT, PSB, PCdoB e PV, nada impede a composição com o MDB, pois são aplicadas às federações as mesmas regras que valem para partidos políticos. Ou seja, as federações podem formar coligações em eleições para cargos majoritários.