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Comércio

Lula diz que países do Brics são vítimas de ‘chantagem tarifária’ em reunião virtual

Presidente chefiou encontro do bloco nesta segunda (8) e defendeu reforma de organismos internacionais, soberania digital e solução para conflitos internacionais
Redação
08/09/2025 | 13:40

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira 8 que países que integram o Brics são “vítimas” de práticas comerciais ilegais e de “chantagem tarifária”. A declaração foi feita em reunião virtual com líderes do bloco, da qual o presidente brasileiro participou na condição de chefe rotativo.

“Nossos países se tornaram vítimas de práticas comerciais injustificadas e ilegais. A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas”, disse Lula, segundo transcrição divulgada pelo Palácio do Planalto.

Lula autoriza medidas de retaliação contra os EUA após tarifaço de Trump - Foto: José Aldenir/Agora RN
Lula afirmou que sanções e sobretaxas restringem liberdade comercial dos países do Brics - Foto: José Aldenir/Agora RN

O Brics é formado por Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã. De acordo com o Planalto, participaram da cúpula virtual governantes de China, Egito, Indonésia, Irã, Rússia, África do Sul, além de representantes de outros países.

No discurso, Lula afirmou que “sanções secundárias restringem nossa liberdade de fortalecer o comércio com países amigos” e acrescentou: “Cabe ao Brics mostrar que a cooperação supera qualquer forma de rivalidade”.

O presidente também declarou que “o comércio e a integração financeira entre os países do Brics oferecem opção segura para mitigar os efeitos do protecionismo”.

O Planalto informou que os líderes discutiram “riscos” associados ao aumento de medidas unilaterais e mecanismos para ampliar o comércio entre os membros do bloco.

Durante a fala, Lula apontou que o cenário internacional vive “crescente instabilidade” passados dois meses da cúpula realizada no Rio de Janeiro em julho.

Nesse período, entrou em vigor a sobretaxa de 50% para a entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos, determinada pelo presidente Donald Trump. A Índia também foi sobretaxada por conta do comércio com a Rússia. Segundo a Presidência, Lula não citou os EUA nominalmente durante a reunião.

O presidente disse ainda que a presença militar dos Estados Unidos no mar do Caribe “é fator de tensão incompatível com a vocação pacífica da região” e defendeu uma “solução realista” para a guerra entre Rússia e Ucrânia. Ele também voltou a criticar a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza.

“A decisão de Israel de assumir o controle da Faixa de Gaza e a ameaça de anexação da Cisjordânia requer nossa mais firme condenação. É urgente colocar fim ao genocídio em curso e suspender as ações militares nos territórios palestinos”, afirmou.

Lula reiterou o convite aos países do bloco para integrarem o Fundo de Florestas Tropicais, que será lançado na COP 30, marcada para novembro em Belém (PA). Ele defendeu ainda a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU.

Em relação ao setor digital, o presidente disse: “Sem uma governança democrática, projetos de dominação centrado em poucas empresas de alguns países vão se perpetuar. Sem soberania digital, seremos vulneráveis à manipulação estrangeira”.

Segundo o Planalto, Lula pretende enviar ao Congresso Nacional projetos que regulam a atuação das big techs no Brasil.

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