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Copa do Mundo

Liderança pode manter base do Brasil

Permanência em Nova Jersey até fases decisivas reduziria deslocamentos, preservaria rotina de recuperação física e daria vantagem logística à seleção brasileira
Por O Correio de Hoje
23/06/2026 | 16:17

A disputa pela liderança do Grupo C da Copa do Mundo ganhou um peso que vai além da definição dos confrontos do mata-mata. Diante da Escócia, nesta quarta-feira 24, a seleção brasileira joga não apenas pela classificação às fases eliminatórias, mas também pela possibilidade de preservar uma estrutura logística e de preparação física considerada central no planejamento da campanha nos Estados Unidos.

O Brasil depende de um empate para garantir vaga na próxima fase. Uma vitória assegura a primeira colocação da chave, enquanto uma derrota deixaria a equipe na dependência do resultado da partida entre Marrocos e Haiti. Internamente, contudo, a manutenção da liderança é vista como um fator capaz de influenciar diretamente as condições de trabalho da delegação ao longo do torneio.

CT Brasil Copia
Centro de Treinamento da Seleção Brasileira pertence ao time New York Red Bulls, em Morristown, Nova Jersey - Foto: rafael Ribeiro / CBF

Desde a chegada aos Estados Unidos, a seleção está instalada em Morristown, no Estado de Nova Jersey, onde ocupa o hotel The Ridge e utiliza o centro de treinamento do New York Red Bulls como base operacional. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) transferiu para o local equipamentos próprios destinados à recuperação muscular, fisioterapia, avaliações médicas e monitoramento físico dos atletas. A estrutura foi concebida para funcionar como um centro permanente de preparação durante a competição.

A escolha da cidade ocorreu ainda antes do início da Copa e levou em consideração fatores como localização, infraestrutura e capacidade de centralizar todas as operações da delegação em um único ambiente. O planejamento previa uma permanência de 23 dias no local, abrangendo o período de preparação e os compromissos iniciais do Mundial.

O formato da competição, entretanto, ampliou a relevância da decisão. Caso avance em primeiro lugar e mantenha a trajetória até a final, o Brasil teria um roteiro de deslocamentos que permitiria retornos frequentes à base de Nova Jersey. O caminho projetado inclui partidas em Houston, Miami e Atlanta, com a possibilidade de retorno ao centro de treinamento entre as etapas do torneio.

A situação seria diferente para o segundo colocado do Grupo C. Nesse cenário, a seleção enfrentaria uma sequência de viagens mais extensa, passando por cidades como Monterrey, no México, Houston, Boston, Dallas e, apenas posteriormente, Nova Jersey. Além do aumento das distâncias percorridas, a equipe precisaria se adaptar a diferentes hotéis, centros de treinamento e estruturas operacionais ao longo da competição.

O coordenador executivo geral das seleções masculinas da CBF, Rodrigo Caetano, confirmou que a manutenção da base em Morristown representa a prioridade da entidade. Segundo ele, o planejamento principal depende da confirmação da liderança do grupo.

“Primeiro que a gente precisa vencer o último jogo. Esperar o resultado, principalmente do Marrocos. Para a gente saber se vai confirmar o primeiro lugar. Em confirmando, obviamente que não altera nada, e ficaremos, sim, em Nova Jersey, no mesmo hotel e no mesmo CT. Caso isso não ocorra e que tenhamos um outro caminho, a gente tem também um plano B e C. A gente só deixou claro desde o início que a nossa intenção é que o plano A, que é a permanência lá (em Morristown), fosse confirmado. Mas vai depender da última rodada. Primeiro de tudo é classificar bem, fazer um outro bom jogo e esperar o resultado do adversário”, afirmou.

A avaliação da comissão técnica é que a continuidade da rotina estabelecida desde o início da Copa pode reduzir o desgaste físico dos jogadores em uma competição marcada por longos deslocamentos e intervalos curtos entre partidas. Permanecer na mesma estrutura também facilita a manutenção dos protocolos de recuperação e das rotinas de treinamento, fatores considerados relevantes em um torneio de alta intensidade.

O cenário se torna ainda mais complexo caso a seleção avance como terceira colocada. Nessa hipótese, o roteiro passaria a depender de uma combinação de resultados, com possíveis partidas em Boston, Nova Jersey ou Cidade do México nos 16 avos de final. As fases seguintes poderiam levar a equipe para Filadélfia, Miami, Boston, Dallas ou Atlanta, ampliando a imprevisibilidade logística.

Por esse motivo, a liderança do Grupo C é tratada dentro da delegação como um ativo competitivo. Além da vantagem esportiva de evitar cruzamentos mais difíceis nas etapas iniciais do mata-mata, a primeira colocação pode garantir menos horas de viagem, mais tempo para recuperação e a preservação de uma estrutura montada para sustentar a seleção brasileira até os momentos decisivos da Copa do Mundo.